Mercado residencial: Lisboa consolida‑se como opção europeia para compradores norte‑americanos

A presença estrangeira concentra‑se sobretudo no centro histórico, diz a consultora Athena Advisers. Santa Maria Maior, Santo António e Misericórdia capturam grande parte do investimento externo.
Mercado residencial: Lisboa consolida‑se como opção europeia para compradores norte‑americanos
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O mercado residencial do centro de Lisboa continua resiliente, mesmo com o crescimento de novos projectos a norte e a leste da cidade, nomeadamente em Marvila, Parque das Nações e Lumiar.

A Athena Advisers considera que o mercado está a amadurecer, com procura mais robusta, seletiva e geograficamente reorganizada entre oferta e procura.

A consultora imobiliária internacional de luxo lembra que, segundo o Dossier Cidade de Lisboa, da Confidencial Imobiliário, o investimento residencial na Área de Reabilitação Urbana (ARU) totalizou 1.912 milhões de euros no primeiro semestre de 2025.

Detalhando os dados, coloca em evidência que os compradores nacionais mantêm o peso dominante, representando 76% das aquisições e 68% do valor investido por particulares, enquanto o investimento estrangeiro atingiu 465 milhões de euros.

A Athena Advisers destaca também uma atividade comercial em aceleração ao sublinhar, através do seu diretor geral em Portugal, que “de 2024 para 2025, registámos um aumento de 48% na procura por parte de clientes norte‑americanos e um crescimento de 60% no valor total dos imóveis adquiridos em Lisboa por compradores dos EUA”.

David Moura‑George realça ainda que “o que estamos a observar não é um mercado dependente de um único perfil de comprador, mas sim uma procura diversificada e complementar”.

A presença estrangeira concentra‑se sobretudo no centro histórico, diz a consultora. Santa Maria Maior, Santo António e Misericórdia capturam grande parte do investimento externo — 75%, 69% e 64% respetivamente — refletindo preferência por bairros com património, oferta cultural e projectos de reabilitação premium.

Apesar de uma ligeira redução no número de transações por compradores internacionais, o montante investido manteve‑se ao nível de 2024, sinal de maior selecção e foco em imóveis específicos, realça a Athena Advisers.

A consultora sublinha que factores estruturais — segurança, qualidade de vida, infraestruturas e ecossistema tecnológico — sustentam a decisão de investir em Lisboa. “Hoje chegam com um mapa pré‑definido. Sabem as ruas que querem e o estilo de vida que procuram”, conclui Moura‑George, apontando para uma cidade que deixou de ser apenas descoberta e passou a ser uma escolha consciente por parte dos investidores internacionais.

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Descida da avaliação bancária agrava situação do mercado residencial

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