

A Lufthansa continua firmemente interessada na privatização de 49,9% do capital da TAP, mesmo depois de ter anunciado esta semana que vai reforçar a sua posição de 41% para 90% na italiana ITA Airways, operação que exige um investimento de 325 milhões de euros.
A Lufthansa já apresentou "uma proposta não vinculativa, isso é sabido" e "o nosso CEO disse recentemente que vamos continuar a crescer, e a ITA, um caso de sucesso, em nada invalida o processo da TAP", frisou esta quarta-feira, 13 de maio, Paulo Geisler, CEO da Lufthansa Ground Services Portugal e representante das operações da transportadora alemã no nosso país.
Paulo Geisler, que falava aos jornalistas à margem da celebração dos 45 anos de operação contínua da Lufthansa no aeroporto do Porto e dos 15 anos da Lufthansa Ground Services Portugal, recusou a ideia que este reforço na companhia italiana, que tem hub em Milão, possa enfraquecer a vontade de adquirir uma posição na TAP. "De maneira alguma", frisou. Será "complementar, todas as empresas do grupo são complementares, nada vai enfraquecer, antes pelo contrário", disse.
Como recordou, o CEO da Lufthansa disse recentemente que "nada vai influenciar a nossa proposta e continuamos interessados". A guerra no Médio Oriente e a consequente crise no acesso a combustível, e também a previsível quebra no tráfego de passageiros nos próximos meses, não vai alterar a decisão, afirmou Paulo Geisler. As dificuldades no abastecimento de combustível e consequente escalada no preço já levaram o grupo a cancelar 20 mil voos previstos para este verão.
Segundo Paulo Geisler, "o impacto em Portugal foi zero. Estamos a falar de 1% de voos" previstos pelo grupo. "Todas as companhias aéreas acompanham com preocupação a situação", mas a Lufthansa "é muito forte a nível de compra e de previsão de necessidades de combustível" e "os próximos meses estão garantidos", disse ainda.
Com agudo interesse na TAP, a Lufthansa aguarda agora "o resultado da privatização". A transportadora alemã tem "uma ligação muito forte a Portugal, queremos crescer em Portugal", reforçou Paulo Geisler. Puxando dos galões, sublinhou: "Nós somos o maior grupo de aviação da Europa e temos uma presença muito grande em Portugal". Recorde-se que o Governo já revelou a intenção de selecionar o comprador da TAP até ao final de agosto e fechar o processo de privatização ainda este ano.
A Lufthansa e a Air France-KLM foram as duas únicas companhias aéreas que apresentaram proposta à privatização de 49,9% do capital da TAP (44,9% destinados a um investidor de referência e até 5% reservados a trabalhadores). Apesar de ter manifestado interesse, a IAG, que detém a Iberia e a British Airways, acabou por não apresentar proposta.
A decisão do Governo sobre terá por base o preço oferecido pelos concorrentes, o plano industrial, a conectividade e a capacidade financeira do comprador. No que toca a investimento industrial, a Lufthansa está já no terreno.
Presente na cerimónia da comemoração dos 45 anos da Lufthansa no aeroporto do Porto (nem a pandemia travou a operação) e dos 15 anos da Lufthansa Ground Services Portugal, Torsten Raabe, CEO da Lufthansa Technik Portugal, recordou que o grupo alemão vai investir 300 milhões de euros numa unidade em Santa Maria da Feira, mas sublinhou que esta decisão "foi totalmente independente das outras atividades da Lufthansa". Isto apesar de inicialmente estar prevista para a Alemanha.
Segundo Torsten Raabe, "estávamos à procura na Europa de um lugar onde crescer" para acompanhar a expansão do setor. "Fizemos um processo diligente para encontrar o lugar perfeito para nós, e foi Portugal". Na sua opinião, Santa Maria da Feira "é um ótimo local" para a unidade de reparação de componentes de aviões. "Temos a infraestrutura certa e tudo o que precisamos", frisou.
A Lufthansa Technik Portugal está em operação desde o início de abril, numas instalações provisórias em Santa Maria da Feira, sendo o foco, neste momento, a formação. A unidade conta já com 75 colaboradores, mas o objetivo é ter uma força de trabalho de 700 de pessoas. A construção da fábrica deverá arrancar no início deste verão, para estar concluída em 2028.
Neste evento comemorativo, Paulo Geisler lembrou ainda que a Lufthansa Ground Services Portugal foi "a primeira empresa portuguesa 100% detida pelo grupo Lufthansa", sendo a sede no Porto. O CEO recordou também que esta unidade começou com prestação de serviços aeroportuários nos aeroportos do Porto, Lisboa e Faro, e evoluiu para centro de competências para a aviação global. A Lufthansa Ground Services Portugal emprega 360 pessoas e apoia remotamente mais de 350 aeroportos e agentes de viagens em todo o mundo.
Quanto à operação core da Lufthansa (os voos), este verão vai disponibilizar até 120 voos semanais a partir do Porto, um aumento de 7% face ao mesmo período de 2025, dando acesso a mais de 330 destinos globais através dos hubs.