

Os preços do petróleo aceleraram mais de 5% esta segunda‑feira, 20, impulsionados por receios de que o cessar‑fogo entre os Estados Unidos e o Irão esteja a ameaçar desagregar‑se após a apreensão, por Washington, de um navio de carga iraniano.
Um acontecimento que mantém o trânsito pelo Estreito de Ormuz praticamente paralisado, acrescentando pressão aos mercados.
Às 07h44, os futuros do Brent registavam uma subida de 5,32%, fixando‑se em 95,22 dólares por barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) dos EUA avançava 5,90% para 88,80 dólares por barril.
Estes ganhos surgem depois da forte correção de sexta‑feira passada — quando ambos os contratos caíram cerca de 9%, a maior queda diária desde 18 de abril.
A reversão das expectativas começou quando Teerão assegurou que a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz permanecia aberta durante o cessar‑fogo, posição que foi acolhida pela Casa Branca, mas a apreensão do cargueiro reacendeu temores de escalada.
Nesta linha, June Goh, analista sénior da Sparta Commodities, referiu à Reuters que, nas 24 horas seguintes ao anúncio de sexta‑feira, petroleiros continuaram a ser alvo de ações da Guarda Revolucionária Islâmica, intensificando a relutância dos armadores em transitar pela região.
Acompanhando as preocupações geopolíticas, os analistas salientam também os efeitos sobre os fundamentos: entre 10 e 11 milhões de barris por dia continuam retidos, um volume que agrava a perceção de risco de fornecimento e ajuda a explicar o forte impulso dos preços no início desta semana.