Deco vê "interesse crescente em mercados de ações e sobretudo nos ETF" mas alerta para os riscos

Os fundos de índices cotados em bolsa chamam a atenção de um número cada vez maior de investidores. Ainda assim, a Deco alerta para os riscos da elevada exposição ao mercado norte-americano.
Deco vê "interesse crescente em mercados de ações e sobretudo nos ETF" mas alerta para os riscos
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As famílias portugueses continuam a ter demasiado dinheiro a render abaixo da inflação. Ainda assim, são cada vez mais os investidores que investem em ETF para poupar, depois de um ano de 2025 particularmente positivo, a este respeito.

Esta é a perspetiva da Deco Proteste, que se foca na defesa dos direitos dos consumidores. Ao DN e DV, Jorge Duarte, especialista da organização, explica que, em geral, o investidor português é "conservador", mas muita coisa está a mudar e traça algumas linhas que podem guiar os investidores.

"Portugal ainda é dos países em que o investimento em ETF tem um menor peso", aponta. Estes são fundos de índices cotados em bolsa (Exchange Traded Funds), que replicam o movimento agregado de um conjunto de empresas cotadas, reunidas mediante critérios regionais ou temáticos. O cenário é evidente se compararmos com os EUA mas, mesmo comparando com outros países europeus, a conclusão é a mesma.

Jorge Duarte olha para riscos e oportunidades dos mercados financeiros
Jorge Duarte olha para riscos e oportunidades dos mercados financeiros

Em causa está "o perfil muito mais conservador", que se concretiza em "muito dinheiro em depósitos a prazo e similares, cujo rendimento é muito inferior à inflação", alerta o especialista. Ainda assim, a tendência está a mudar, com as gerações mais jovens a procurarem pôr as poupanças a render de forma mais significativa, mesmo que com valores reduzidos.

"Há um interesse crescente pelo investimento nos mercados de ações e sobretudo em ETFs", que são uma das formas mais baratas e eficazes para se iniciar no investimento", olhando para bolsas, ações e obrigações. Neste âmbito, os mais procurados são aqueles que replicam o mercado global (o MSCI World, por exemplo) e o S&P 500, que funciona como referência em Wall Street.

Michael M. Santiago / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

"Normalmente, é por estes que os investidores começam", assinala. Na maioria dos casos, "é o mais indicado", acrescenta para a fase inicial. Para investidores que queiram diversificar a carteira, olhar a mercados "menos conhecidos" podem ser uma ajuda. É o caso da Índia, por exemplo, em que "o peso do investimento deve ser reduzido", em virtude da maior volatilidade, mas com uma perspetiva de potencial a médio e longo prazo.

Como investir e o que fazer antes?

Numa análise recente, a Deco aponta para riscos corridos por investidores e para a importância de diversificar a carteira.

Em 2025, foi evidente que os ganhos gerais em bolsa foram substancialmente superiores àqueles que se registaram nas aplicações financeiras tradicionais, como são os casos dos depósitos à ordem e contas poupança. Assim, "cada vez mais aforradores olham para os ETF como uma alternativa para investir a longo prazo", assinala a Deco.

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Estes são acessíveis a qualquer investidor, com limites mínimos que começam em um euro e investir nos mesmos é simples. Pode ser feito através das bolsas de Frankfurt, Paris ou Nova Iorque, a título de exemplo. Não obstante, estes envolvem riscos, pelo que é importante evitar "decisões precipitadas", em muitos casos causadas por movimentos bruscos recentes, como é o caso em períodos de incerteza, como aquele que se vive atualmente, em virtude da guerra no Médio Oriente.

A Deco recomenda "uma abordagem de longo prazo, diversificada por regiões e setores" e contrária a "concentrações excessivas". É o caso de determinados investimentos em áreas ligadas à Inteligência Artificial (IA), que valorizam de forma expressiva nos últimos meses e dependem em demasia de "um único fator de crescimento", assinala-se.

Riscos associados

A organização assinala os riscos no que respeita a investimentos em ETF. Desde logo, sobressai a elevada exposição aos Estados Unidos nos principais índices globais. Isto porque pesam mais de 60% no mercado global.

Por outro lado, aponta para "avaliações elevadas em alguns segmentos tecnológicos", nomeadamente em Wall Street, que deixam "pouca margem para erro". Isto numa altura em que vários analistas levantam a possibilidade de a valorização das empresas ligadas à IA constituir uma bolha, que arrisca rebentar a qualquer momento.

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Regista-se ainda a "maior volatilidade dos mercados emergentes", assim como o "impacto das flutuações cambiais para investidores da zona euro", acrescenta-se.

Em todo o caso, associado à possibilidade de retorno está o risco de perdas significativas, que não é adequado para quaisquer perfis de investidor.

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