

Os mercados financeiros registam um sell-off global nas empresas que desenvolvem hardware, desde logo chips semicondutores e inteligência artificial (IA). Na Europa, Ásia e EUA, são notórios os receios levantados pela aceleração da inflação, que pode significar nova subida dos juros.
É que o Índice de Preços no Consumidor (IPC) dos EUA subiu 3,7% em setembro (acima dos 3,6% esperados e dos 3,4% de agosto), o que faz levantar a probabilidade de a Fed subir as taxas de juro na reunião de dia 28 de outubro. A fasquia daquele banco central está entre 3,75% e 4,00%, mas a inflação continua a afastar-se da meta de 2%, podendo levar a novo apertar do cinto.
Perante este risco, os investidores temem grandes gastos das empresas de IA e de fabrico de semicondutores. Estas contraíram empréstimos para acelerarem as respetivas operações e têm enormes volumes de dívida, pelo que a subida dos juros, numa altura em que já estão tão altos, é um choque de despesa.
Esta quinta-feira, um sell-off foi visível na Ásia (sessão já encerrada), assim como se nota na Europa (em curso) e em Nova Iorque (para já em pré-mercado). Desde o início da semana, as perdas já atingiram um bilião de dólares, de acordo com as contas da emissora CNBC.
Olhando à bolsa da Coreia do Sul, a gigante dos chips SK Hynix caiu mais de 10%, ao passo que a rival Samsung Eletronics perdeu quase 9%. Em Tóquio, o super investidor em tecnologia SoftBank Group tombou 7,9%, ao passo que o fabricante de peças Advantest desabou quase 14%.
A TSMC, que está sediada em Taiwan e é líder no fabrico de chips, derrapou 1,81%.
Olhando às praças europeias, a neerlandesa ASML está a perder 5,13%, pelas 11h43 desta quinta-feira, hora portuguesa. A tecnológica Infineon vai mais longe, com um recuo de 7,73%, enquanto a ASM International derrapa 9,6%.
Se viajarmos até aos EUA, Wall Street depara-se com decréscimos de quase 2% na Microsoft e Amazon, ao passo que a Nvidia e a Meta caem mais de 3%. Em simultâneo, há uma desvalorização superior a 4% nas ações da Micron, enquanto a AMD perde mais de 5%.