

Os portugueses têm o hábito de pôr dinheiro de lado, quando possível, de forma a poupar. No entanto, histórias passadas marcaram a memória dos portugueses, que fogem ao risco.
A conclusão é de Bárbara Barroso, especialista em finanças pessoais, literacia financeira e investimentos, responsável pelo Moneylab. Ao DN e DV, a própria explica que os investidores nacionais "querem o melhor dos dois mundos", ou seja, capital garantido e rentabilidade alta, ao investirem nos mercados de capitais.
Porém, isto é algo que "não existe", medida em que investir "implica risco". Neste contexto, a própria lembra que tudo o que esteja acima da taxa de juros do BCE (agora em 2%) significa arriscar acima do risco do mercado.
Ora, no mercado português "existe claramente" aversão ao risco. Casos que marcaram gerações, como foram as falências de BPN e BPP e, mais recentemente, BES e Banif, deixaram marcas profundas a nível psicológico e "não ajudam" os investidores.
Ao mesmo tempo, a literacia financeira é baixa. Esta concretiza-se em desconhecimento das opções de investimento que existem e da perda que representa o dinheiro parado, já que os preços aumentam com o tempo (aquilo que conhecemos como inflação).
"Há uma falsa sensação de que os depósitos estão seguros, quando estão a perder valor", acrescenta a própria.
Por outro lado, denota uma clara incapacidade de poupar, que resulta, por exemplo, dos baixos salários. Uma situação que leva a que as classes média e média-baixa tenham "pouca margem para aguentar choques", na medida em que, caso haja uma mudança repentina com custos significativos, "a poupança é rapidamente consumida".
Ora, somando baixa literacia, falta de capacidade de poupança e histórias passadas negativas, os portugueses evitam o risco de todas as formas. Para combater isto, é preciso "conhecimento", salienta. Sem ele, há depósitos de poupança, mas a quantidade de dinheiro posto a render é muito menor.
"Em Portugal e na Europa, até se consegue poupar, mas não se investe." Bárbara Barroso sublinha, neste tema, os 200 mil milhões de euros que os aforradores portugueses têm em depósitos à ordem e a prazo, com taxas anuais inferiores ao nível da inflação.
Para este cenário, muito contribui também a "grande dificuldade da aferição de risco", que leva a que os portugueses não consigam "escolher os melhores investimentos" para si. Ou seja, há escolhas que se adequam mais ou menos, consoante a carteira e o perfil de risco de cada investidor.
"Excesso de informação"
Certificados de aforro, PPR, ações, índices de ações, commodities e forex são algumas das possibilidades de investimento nos mercados de capitais, entre tantos outros ativos. Assim sendo, importa diversificar a carteira, mas distribuir dinheiro pelas diferentes categorias pode não ser suficiente - até pode ser contraditório.
Ao dia de hoje, as gerações mais jovens "têm acesso a mais informação, mas também há mais ruído", fruto das redes sociais. O fluxo é tal que já existe "excesso de informação", diz Bárbara Barroso.
Ao mesmo tempo, diferentes ativos podem sobrepor-se e é importante que quem investe saiba primeiro no que está a investir, de forma específica. Há casos em que as pessoas acham que estão a diversificar mas têm "produtos diferentes com ativos subjacentes que são iguais", alerta, neste âmbito.