

A semana nos mercados ficou naturalmente marcada pela apresentação de resultados por uma série de empresas, dos mais diversos setores. Olhando para a sessão de sexta-feira, nos mercados europeus, há um nome que salta à vista, por desvalorizar mais de 20%: a Adyen.
Apesar de não ser muito conhecida pelos portugueses, esta empresa de tecnologia financeira (fintech, no termo inglês) está entre as maiores do mundo, no setor. Fundada nos Países Baixos, rivaliza diretamente com gigantes como a Paypal e a Stripe, na medida em que funciona como intermediária em pagamentos presenciais e online.
A empresa conta com clientes de grande dimensão e dos mais diversos setores da economia, como são exemplos a Uber, Spotify e o eBay. No entanto, as contas apresentam números muito aquém do esperado, em 2025.
A receita líquida aumentou 17% em termos homólogos e os pagamentos processados pela empresa ficaram-se pelos 745,3 mil milhões de euros, substancialmente abaixo do esperado. Também as perspetivas para 2026 desiludiram os acionistas. A Adyen aponta a um crescimento entre 20% e 22% na receita líquida, ao passo que os analistas da bolsa de Londres aguardavam 22,8%.
Ora, nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, a cotada foi protagonista de um sell-off (tendência agressiva de vendas em bolsa). As ações caíram quase 22%, para o valor mais baixo dos últimos dois anos, perto dos 903 euros. Dito isto, a capitalização de mercado da Adyen tombou para 29,1 mil milhões de euros.
Por ser uma das 50 empresas europeias com maior exposição de capital nos mercados financeiros, a cotada neerlandesa integra o índice bolsista Euro Stoxx 50 e arrastou-o para o terreno negativo, na sessão de quinta-feira.
De resto, as principais bolsas europeias registaram perdas nos respetivos índices de referência, com Lisboa a seguir pelo mesmo caminho. A exceção foi a praça de Paris, na qual o CAC 40 registou leves ganhos, a beneficiar da valorização de quase 5% nos títulos da Michelin, entre outras subidas.
A fabricante de pneus apresentou resultados sólidos e tem planos para iniciar um plano de recompra de ações próprias. Este deverá envolver até dois mil milhões de euros, entre 2026 e 2028.
Nos EUA, os dados do emprego geraram inseguranças entre os investidores e mexeram com os índices de referência da bolsa de Nova Iorque, na quarta-feira, 12 de fevereiro.
Na origem estiveram os dados referentes à criação de emprego na economia norte-americana. Os números ficaram bastante acima das expetativas que existiam, levando a crer que as empresas estão mais resilientes do que o antecipado. Os investidores começaram por mostrar algum ânimo, com os índices a apresentarem ganhos... mas terminaram a sessão em terreno negativo.
O que causou esta inversão?
Com as empresas a mostrarem maior capacidade para contratar, os analistas e investidores creem que há tendências inflacionistas mais significativas. Assim sendo, torna-se menos provável a Reserva Federal descer as taxas de juro no futuro mais próximo, o que resultou em alguma tensão nos mercados financeiros.
Neste âmbito, as atenções viram-se para os próximos dados da inflação, que vão ser conhecidos nesta sexta-feira. O Índice de Preços no Consumidor nos EUA em janeiro vai ser publicado pelas 13h30 (hora de Lisboa).