Os mercados reagiram em força ao ataque dos Estados Unidos à Venezuela. Entre as movimentações registadas está a forte valorização de empresas ligadas à indústria do petróleo, a começar pela Chevron, que já opera na Venezuela e disparou perto de 15,3 mil milhões de euros na segunda-feira. Ainda assim, a Galp não acompanhou o ânimo.A petrolífera portuguesa, tal como outras europeias do setor não está ligada a possíveis futuros investimentos nas reservas de petróleo que Donald Trump tem na mira. O setor energético europeu viveu, por isso, um dia muito diferente.Soubemos no fim de semana que presidente dos EUA quer levar as petrolíferas norte-americanas a explorar o petróleo do país com maior quantidade de reservas em todo o mundo. Foi o próprio que o reconheceu, horas depois de os norte-americanos atacarem a Venezuela e levarem Maduro. Ora, o setor viveu um dia de grande ânimo na bolsa de Nova Iorque, mas o mesmo não se verificou nas praças europeias.Cotada no índice PSI, a Galp valorizou 0,44% até aos 14,72 euros por ação, na sessão de segunda-feira, 5 de janeiro. Em causa está uma capitalização de mercado na ordem de 10,18 mil milhões de euros. A mexida surge na sequência de a empresa desvalorizar perto de 7,5% em 2025.Significa isto que a Galp não acompanhou as subidas expressivas que se fizeram notar na praça nova iorquina. De resto, nesse aspeto, a firma portuguesa acompanhou as maiores players europeias do setor.É que, daquele grupo, só a italiana Eni ganhou terreno, ao valorizar 1,4%, na segunda-feira. Na bolsa de Londres, a BP e Shell registaram quedas de 0,61% e 1,02%, respetivamente, ao passo que a francesa Total Energias perdeu 0,55%. A norueguesa Equinor foi mais além, ao tombar 1,61%. Falamos de algo pouco usual, já que as petrolíferas europeias encerraram o dia maioritariamente em queda, apesar de o barril subir de forma significativa (por tendência, as cotadas do setor aproveitam para valorizar). Pelas 19 horas de segunda-feira, o Brent avançava 1,71% até aos 61,79 dólares, ao passo que petróleo bruto WTI ia mais além, com um acréscimo de 1,74%, para 58,32 dólares. De resto, os valores amanheceram no 'vermelho', mas acabariam por inverter.De acordo com Vítor Madeira, analista de mercados financeiros na corretora XTB, as variações citadas levam a crer que a maioria das petrolíferas "parece não beneficiar... o que também é estranho, porque o petróleo está a subir". Neste âmbito, diz, "o mercado não está assim tão espectante".Ora, o mesmo não foi visto do outro lado do Atlântico, onde houve um otimismo acentuado.Wall Street vê cotadas a dispararOra, na bolsa de Wall Street, o sentimento foi bastante diferente, depois de Trump sinalizar potenciais aumentos de faturação. É que, no domingo, o próprio disse que falou com "todas" as empresas norte-americanas do setor e que estas querem explorar aqueles poços. "As grandes petrolíferas", sublinhou, vão "consertar a infraestrutura. Vão investir dinheiro. Nós não vamos investir nada", atirou, em declarações aos jornalistas a bordo do avião presidencial. Em causa estão as infraestrutras associadas à extração daquele combustível fóssil, que estão danificadas.Ora, eventuais grandes investimentos resultariam em ganhos expressivos ao nível da faturação e, possivelmente, do resultado líquido das empresas, ao mesmo tempo que a economia dos EUA sairia fortemente beneficiada. Neste contexto, as maiores petrolíferas que negoceiam na bolsa de Nova Iorque viram a respetiva capitalização de mercado subir de forma acentuada. Entre as maiores, a Exxon Mobile (segunda mais valiosa do setor em todo o mundo, só atrás da Saudi Aramco) ao valorizar 2,21% na segunda-feira. Mais longe foi a Chevron, que avançou 5,10%, a beneficiar de a única gigante da indústria sediada nos Estados Unidos com atividade em poços de petróleo da Venezuela. Este fator pode significar alguma vantagem no objetivo de obter licença para explorar os poços a que Trump está a apontar.Simultaneamente, registou-se um ganho de 2,59% na ConocoPhillips, que também figura entre as 10 maiores do setor, em valor de mercado, à escala global.Na bolsa de Nova Iorque, o dia foi de otimismo quanto ao tema Venezuela. Por outro lado, analistas à escala internacional deixaram alertas para o facto de que eventuais investimentos poderão só dar resultados financeiros não antes de 2027. Em simultâneo, o contexto político incerto na Venezuela abre espaço para pontos de interrogação na cabeça dos investidores..Ouro dispara e barril tomba após ataque dos EUA à Venezuela