Mercados. Semana trouxe altos e baixos com Gronelândia, tarifas e Trump no centro das atenções

As principais praças europeias abriram a semana em perda, castigadas pela ameaça de Trump sobre aplicar novas tarifas à Europa. O próprio viria a fazer promessas que reduzem o clima de tensão.
Mercados. Semana trouxe altos e baixos com Gronelândia, tarifas e Trump no centro das atenções
EPA/JUSTIN LANE
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A semana foi marcada por elevada volatilidade nos mercados de capitais. Na base estiveram as tensões entre Donald Trump e os líderes europeus, que só estabilizaram quando o próprio cedeu nas tarifas e prometeu não invadir a Gronelândia.

Esta quinta-feira, os mercados ganharam fôlego e acabariam por recuperar parte das perdas, em resultado dos sinais animadores que chegaram do Fórum Económico Mundial.

Foi logo na segunda-feira que as bolsas europeias acordaram no 'vermelho'. No fim de semana, o presidente dos EUA exerceu pressões no sentido de tomar o controlo da Gronelândia e os investidores reagiram em força. O sentimento negativo estendeu-se para terça e quarta-feira.

Na origem estiveram sobretudo as tarifas alfandegárias, que Trump garantiu aplicar a oito países europeus que se opunham a que os Estados Unidos tomassem o controlo da Gronelândia. Estas seriam de 10% e subiriam para 25% em junho, caso não fosse estabelecido um acordo para aquele efeito.

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O clima era pesado, com a dúvida sobre qual seria a resposta da Europa às exigências de Trump. Outra questão era se o próprio faria uso das forças armadas norte-americanas para ocupar a Gronelândia, território dinamarquês que tem alguma autonomia.

Em três sessões bolsistas, o Euro Stoxx 600 (reúne as 600 cotadas europeias com maior exposição ao mercado bolsista) caiu 1,9%, ao passo que o Euro Stoxx 50 (equivalente para 50 cotadas) tombou 2,6%, no mesmo período. O alemão DAX escorregou 2,76%, ao passo que o francês CAC 40 perdeu 2,3%.

Porém, na mesma semana haveria tempo para que se recuperassem parte das perdas.

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Tudo mudou na quarta-feira, em função das palavras do presidente dos EUA, que permitiram algum alívio, nas praças europeias e em Wall Street. O líder recuou na imposição de tarifas aos países europeus e disse que há um acordo de princípio, no que diz respeito ao Ártico.

No mesmo tema, põe de parte o uso da força para entrar e ocupar o território da Gronelândia. Levantou ainda o véu sobre uma "reunião muito produtiva" com o secretário geral da NATO, Mark Rutte, na qual ficou foram encetadas negociações sobre "um futuro acordo a respeito da Gronelândia".

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Em Nova Iorque, a bolsa de valores inverteu e rapidamente passou a negociar em terreno positivo. Índices como o S&P 500, o Nasdaq e o Dow Jones subiram todos perto de 1,20%. Já na sessão de quinta-feira, 22 de janeiro, o sentimento foi similar até à hora de fecho das congéneres europeias (16h30), com subidas próximas de 1%, que permitiam recuperar a grande maioria das perdas registadas na semana.

No continente europeu, as bolsas estavam encerradas aquando do discurso de Donald Trump e reagiram na quinta-feira. A sessão iniciou com ganhos significativos, que se prolongaram por todo o dia e permitiram recuperar cerca de metade das perdas registadas nos três dias anteriores.

As principais praças fecharam com ganhos ligeiramente superiores a 1%, à exceção do FTSE 100 (Reino Unido), que ficou ligeiramente acima da linha d'água.

Num contexto global marcado pela incerteza, o binómio Trump-Europa promete continuar a ser decisivo no rumo das bolsas. Por enquanto, o tema Gronelândia poderá continuar na agenda.

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