

A exigência dos mercados para com as empresas ligadas à Inteligência Artificial continua num patamar elevadíssimo e Nvidia volta a sofrer com isso, em bolsa. Sendo a empresa mais valiosa do mundo, marcou a semana.
O motor do setor nos EUA superou as expetativas no primeiro trimestre do ano fiscal da empresa e apresentou perspetivas acima do esperado para o seguinte. Ainda assim, a reação dos investidores ficou marcada por um clima de desilusão. Esta quinta-feira, a sessão encerrou com o preço das ações a cair 1,77%, até aos 219,51 dólares por ação. Significa isto que a capitalização da empresa rondava 5,32 biliões de dólares.
As vendas dispararam 85% no trimestre encerrado a 26 de abril, ao atingirem 81,62 mil milhões de dólares (acima das previsões, que apontavam para 78,86 mil milhões). Posto isto, o lucro por ação disparou ainda mais, 211%, para um total de 58,3 mil milhões. Posto isto, o lucro por ação ajustado aumentou 140%, para 1,87 dólares (acima da expetativa dos analistas, que apontava para 1,76 dólares).
A somar a isto, as contas que dizem respeito ao segundo trimestre apontam para uma perspetiva de receitas na ordem de 91 mil milhões de dólares, ou seja, acima dos cerca de 87 mil milhões de dólares que se esperavam.
Em resumo, a empresa superou as expetativas mais consensuais, tanto a nível de resultados do primeiro trimestre, como nas perspetivas para o segundo trimestre. Não obstante, os investidores não ficaram satisfeitos, como se comprova pela descida das ações. Esta é a quarta vez consecutiva em que se regista uma variação negativa, em reação aos resultados trimestrais da empresa. É que, apesar de as recitas aumentarem a um ritmo fulminante, a exigência dos investidores exige mais que isto.
A empresa é o coração da Inteligência Artificial, na medida em que é a maior fabricante de chips à escala global. Este é um estatuto que lhe vale parcerias com as mais variadas gigantes tecnológicas. No entanto, os acordos estão sujeitos a alterações, que constituem parte dos riscos com que a Nvidia se depara.
Em comunicado, a tecnológica reconhece que várias gigantes do setor estão a desenvolver chips semicondutores próprios, destinados às finalidades determinadas pelas mesmas. A Nvidia não revelou nomes dos clientes nesta situação, mas a Meta, por exemplo, fez saber em março que desenvolveu quatro chips personalizados, que a taiwanesa TSMC vai fabricar. Outros casos como a Google, Microsoft e Amazon também estão a seguir pelo caminho da conceção de chips.
Saindo do tema Nvidia, os mercados continuam à espera de novidades geopolíticas, numa altura em que se mantém o impasse entre EUA e Irão. Um possível acordo de paz continua a deixar os mercados na expetativa e, neste sentido, os índices de referência das bolsas europeias mostraram leves variações, inferiores a 1%. A semana ficou ainda marcada pela volatilidade ao nível dos futuros de petróleo.
É que o Brent caiu perto de 5% na quarta-feira e, no dia seguinte, mostrou quase uma "soma zero", ao terminar pouco abaixo dos 105 dólares por barril. Em causa está um mínimo de dez dias, num ativo que tem sido dos mais agitados desde o início da guerra entre EUA e Irão.
Outro fator que marcou a semana foi a subida dos juros dos títulos do Tesouro dos EUA com maturidade a 30 anos. É que estes atingiram 5,2% na quarta-feira, o que significa o patamar mais alto dos últimos nove anos (desde junho de 2007).
Em causa está o elevado endividamento a que os EUA se estão a submeter, sob a administração Trump. Prova disto é que foi precisamente esta semana que a dívida americana superou os 100% do PIB. Soma-se a crescente exigência dos investidores sobre ganhos com empréstimos, em função da elevada inflação que se espera para os próximos anos, na economia mundial.