

Os investidores recuperaram o apetite pelo risco que perderam no final de abril. Os mercados financeiros registaram ganhos na quarta-feira, antes de corrigirem, no dia seguinte.
Ora, quarta-feira levou os principais índices das bolsas europeias a subirem até ao ponto de ficarem pouco mais de 1% abaixo dos máximos relativos registados a 27 de fevereiro, a última sessão bolsista antes da guerra. De resto, alcançaram máximos do dia 22 de abril. É o caso, por exemplo, do índice Euro Stoxx 600, que junta as 600 empresas europeias com maior exposição ao mercado de capitais.
Na base estão as subidas dos índices de referência registadas na quarta-feira, em função de novos sinais de possível paz entre os EUA e o Irão. Trump anunciou a suspensão da escolta de navios no Médio Oriente, o que leva os mercados a acreditarem, uma vez mais, que uma redução das tensões está em curso.
Posto isto, não apenas as bolsas ganharam ímpeto, como também o petróleo caiu, precisamente na quarta-feira. Ambos os movimentos formam uma tendência evidente sempre que há uma perceção de alívio no que diz respeito à guerra.
Ora, a referência europeia para os contratos futuros de petróleo caiu de forma agressiva. O barril de petróleo Brent recuou perto de 10% na quarta-feira e chegou a ser negociado abaixo dos 97 dólares, em virtude precisamente de um alívio no palco geopolítico.
Ainda assim, até às 20h30 de quinta-feira, voltava a subir na ordem de 1% e estava acima dos 102 dólares por barril, pelo que atingiu mínimos de 11 de março. Ao mesmo tempo, o S&P 500 perdia 0,45%, já depois de tocar máximos históricos durante a tarde. Os índices de referência das praças europeias encerraram a cair em torno de 1%.
Mexidas que significam tendência de futuro?
Apesar destas movimentações bruscas, o cenário de um regresso à estabilidade nas bolsas é uma incógnita. No caso do petróleo, os preços deverão continuar altos, independentemente do que aconteça nas próximas semanas.
Neste contexto, são várias as subidas e descidas desde o início de março, o que leva a crer que os mercados vão continuar a ser guiados pelas novidades ligadas ao conflito.
Em causa está a incerteza geopolítica, em função dos mercados aguardarem o que vai acontecer no âmbito da guerra. As negociações vão, por isso, continuar a depender dos próximos desenvolvimentos. As bolsas deverão subir, no caso de ser estabelecido um acordo entre as partes, ao passo que o cenário será de mais quedas caso haja uma escalada.
Em simultâneo, o petróleo deverá subir caso a guerra intensifique... mas, mesmo no caso de um acordo, os preços não vão regressar ao patamar em que estavam no início do ano. O barril de Brent rondava os 61 dólares na abertura de 2025, antes de subir para perto dos 70 dólares até final de fevereiro, com os mercados a assimilarem expetativas de um eventual conflito entre EUA e Irão, fruto das ameaças que surgiram na altura entre as duas partes.
Ora, mesmo que a guerra acabasse "de hoje para amanhã", os preços não regressariam sequer aos 70 dólares. Isto porque a indústria petrolífera do Médio Oriente se viu fortemente afetada, com a cadeia de produção a fraquejar de forma visível. Assim sendo, a oferta vai continuar, pelo menos durante alguns meses, a níveis mais baixos do que em fevereiro, pelo que as negociações vão continuar a preços mais altos do que os que se praticavam.
O impacto das expetativas vai mais além
Ao mesmo tempo que bolsas e petróleo mostram agitação, há outros ativos de investimento a mexer, no contexto da guerra.
Um dos casos passa pelos futuros de ouro, que valorizaram 3% entre quarta e quinta-feira. Recorde-se que estes caíram de forma expressiva ainda antes da guerra, quando Kevin Warsh foi apontado por Donald Trump como o próximo presidente da Fed, mas tinham margem para cair mais, de tal forma que caíram perto de 14% nas primeiras três semanas de guerra.
No caso dos futuros de prata, registou-se uma subida de 8,7% nas últimas duas sessões bolsistas, também na linha da recuperação da confiança.