

Mais uma semana em que os mercados financeiros ficaram profundamente marcados pela guerra travada no Médio Oriente. Porém, mais preocupante dos preços do Brent e do WTI são os que se praticam no Dated Brent. Importa perceber o que são estes e qual a importância, mas comecemos pelo início.
Como habitual desde o início de março, a flutuação do sentimento dos investidores face às posições dos países intervenientes guiou o sentimento. Ao nível dos futuros de petróleo, o último domingo trouxe um disparo, fruto do anúncio de Donald Trump de um "bloqueio" dos EUA no estreito de Ormuz.
As negociações dos contratos futuros de petróleo, que abriram com um disparo no passado domingo, antes de caírem nos dias seguintes.
Os dias seguintes trouxeram descidas, que traduzem alguma acalmia, antes de um disparo nesta quinta-feira. Os preços do barril de Brent caem agora, pelas 9h30, perto de 1%, até aos 98,40 dólares. Neste contexto, estão 17% abaixo do máximo alcançado desde o início da guerra (acima dos 119 dólares). Em simultâneo recuam perto de 3,5% face à abertura da semana (perto dos 102 dólares).
Significa isto que, mais do que uma tendência positiva ou negativa, o sentimento geral é de altos e baixos, baseado na especulação dos investidores. Estes são guiados sobretudo por novidades sobre a guerra e dados do setor energético global, em particular a indústria petrolífera, em consequência do contexto geopolítico. Ao mesmo tempo, o grau de preocupação é substancialmente maior noutro âmbito: o mercado da compra imediata. Falamos do Dated Brent.
Ao contrário do Brent, anteriormente mencionado e que diz respeito à realização de contratos para entrega futura, o Dated Brent é a referência para a compra do barril de petróleo a curto prazo, ou seja, com embarque previsto para os 10 a 30 dias seguintes. Isto é interpretado pela própria indústria como um cenário de "entrega imediata". Reúne quatro tipos de petróleo produzidos no Mar do Norte e um produzido nos EUA... e tem estado a subir substancialmente mais do que o mercado de futuros.
No início do ano, as negociações rondavam os 62 dólares (antes de começarem a sentir-se tensões ligadas à expetativa do início de uma guerra entre EUA, Israel e Irão), antes de avançarem para os 71 dólares até ao início da guerra, de acordo com os dados da Agência Internacional de Energia (AIE). A tendência seguia a linha do mercado de futuros, até que tudo se alterou, no último mês e meio.
Na semana passada, as negociações dispararam para os 138 dólares, antes de recuarem para os 123 dólares já esta semana. Significa isto que estão sensivelmente ao dobro do preço do que no início de janeiro, em forte contraste com os contratos futuros de Brent, que subiram 63%. Trata-se, também, de uma subida agressiva, mas num patamar completamente distinto.
Em causa está o corte que se verificou ao nível da oferta de petróleo em função da guerra, sobretudo pelo facto de o Irão dirigir ameaças a qualquer navio que tentasse atravessar o estreito de Ormuz, por onde passa 20% do comércio mundial, pelo que o setor se viu profundamente afetado, com os preços a dispararem, fazendo a inflação acelerar um pouco por todo o mundo, de forma particular na zona euro - Portugal não é exceção.
Os dados levam a crer que a procura por petróleo no curto prazo subiu de forma muito mais acentuada do que aquela que diz respeito ao médio e longo prazo. Ora, esta quinta-feira ficamos a saber de problemas a este respeito, a começar pela decisão da transportadora aérea KLM de cancelar 160 voos em maio, em função da subida do preço do jet fuel (o combustível para aviões).
Num cenário de volatilidade, a única certeza é que a pressão na indústria petrolífera, caso reduza, será de forma muito gradual. De acordo com a generalidade dos especialistas, tal deverá demorar, no mínimo, vários meses, independentemente dos futuros desenvolvimentos da guerra.