Audaz Capital tem 40 milhões de euros para comprar empresa sem sucessor

Sociedade de investimento procura empresa resiliente e com capacidade para gerar valor na Ibéria. Agrega 18 investidores, com postura de longo prazo, determinados a respeitar o legado do fundador
Filipe Bergaña, antigo gestor de carteiras de investimento, já analisou mais de uma centena 
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Filipe Bergaña, antigo gestor de carteiras de investimento, já analisou mais de uma centena de empresas Foto: D.R.
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A Audaz Capital, sociedade de investimento liderada por Filipe Bergaña, tem até 40 milhões de euros para comprar uma empresa industrial instalada na Península Ibérica cujo proprietário enfrenta o vazio da sucessão. O processo de identificação de oportunidades iniciou-se no final de 2024 e pela lupa de Bergaña já passaram mais de uma centena de empresas. Neste momento, “há um conjunto de cerca de meia dúzia, que cumprem os critérios” para um bom negócio, diz. É provável que a aquisição se concretize nos próximos meses, mas “até ao último momento, vou continuar à procura”. Como afirma, “o meu projeto é de longo prazo. Qualquer precipitação pode sair caro”.

Dinheiro para a operação é a menor das questões. Segundo Filipe Bergaña, filho de pai espanhol e mãe portuguesa, “levantar capital é fácil. Há muita liquidez nos mercados”. Neste caminho, “o difícil foi encontrar investidores com a minha filosofia de investimento de longo prazo”, sublinha. Ainda assim, conseguiu reunir 18 sócios, de territórios tão díspares como a Ibéria, Brasil, México e EUA, que estão prontos a disponibilizar uma verba “até 30 a 40 milhões de euros” para avançar com a operação. Para esta demanda, o gestor instalou-se em Madrid, escolha que justifica pela centralidade da cidade no espaço ibérico, e contratou João Esquível, um jovem em início de carreira, para o apoiar na identificação das empresas-alvo. Também reconhece que há mais empresas em Espanha com desafios de sucessão.

Filipe Bergaña soma mais de duas décadas de experiência no Reino Unido como analista e gestor de carteiras de investimentos em gigantes como a Blackrock e a Fidelity, onde aprendeu “o padrão de criação de valor”. Agora, quer potenciar esse conhecimento numa empresa “resiliente, com forte essência, que possa ser melhorada” e ir inclusive para outras geografias. Como sublinha o fundador da Audaz Capital, “há empreendedores das décadas de 70 e 80 que não têm descendência ou, quando têm, esses descendentes têm outras motivações ou não estão capacitados para dar continuidade ao negócio”. Os empresários vêm-se “forçados a vender a fundos de private equity ou a concorrentes”, conclui. Afinal, “ninguém vende uma boa empresa porque quer. Eu apareço como a melhor alternativa, porque não têm descendência que continue o seu projeto, e eu garanto a preservação do legado”, defende.

Filipe Bergaña faz questão de salientar que pretende “dedicar a segunda parte da vida profissional a preservar o legado do empresário, dar continuidade à história da empresa, criar possibilidades de crescimento aos colaboradores e fornecedores”. A aquisição obedece naturalmente a critérios racionais. Segundo explica, “não é uma questão de setores. Como investidor já vi grandes negócios em muitas áreas”. O gestor diz mesmo: “prefiro uma empresa numa indústria razoável do que a melhor empresa dessa indústria”.

Um dos requisitos essenciais “é estar fora do radar do diretor financeiro do cliente”. Isto é, “o produto ou serviço fornecido tem de ser muito importante para o cliente, mas tem de representar uma pequena percentagem dos custos”. Aponta os exemplos da produção de aromas e fragrâncias para o setor alimentar ou as impermeabilizações industriais. Filipe Bergaña sublinha que esta demanda não está orientada por números, mas há um plano de negócios. Para entrar no radar da Audaz Capital, a empresa tem de assegurar um EBITDA (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) de um a 7,5 milhões de euros e uma faturação anual entre 10 a 40 milhões de euros. A aquisição será sempre de empresas privadas estabelecidas em Espanha ou Portugal - as startups estão excluídas -, sem necessidades de reestruturação e sem dificuldades financeiras.

O gestor sublinha ainda que a Audaz Capital não é uma private equity, ou seja, não visa a alienação futura da empresa adquirida. Pelo contrário, o objetivo é "buy and build” (em português, comprar e construir). Os 18 investidores serão premiados com os dividendos gerados pelo negócio. “Não precisam de liquidez. Querem que eu faça crescer o projeto”, garante. Para Filipe Bergaña, esta procura pela melhor empresa tem sido “um trabalho fascinante, que me dá o pretexto para falar com líderes de todos os setores. Partilham a sua experiência e aprendizagem, de uma forma muito generosa. Não terei outra oportunidade como esta”. A escolha do nome Audaz para a sociedade não foi fortuita. É uma palavra que começa com a letra “a” e termina com a letra “z”, um percurso do princípio até ao fim, e é sinónimo de valentia, ousadia e determinação.

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