

As candidaturas à 11.ª edição do Cuatrecasas Acelera, programa de aceleração equity-free (sem cedência de participação acionista) integrado na Cuatrecasas Innova, terminam na próxima sexta-feira, 26 de junho. O programa da sociedade de advogados Cuatrecasas tem como objetivo apoiar a estratégia legal e de negócio de startups dos sectores healthtech, energy, fintech, deeptech e defesa, e aeroespacial.
Este programa de aceleração "está aberto a startups das geografias em que temos uma presença consolidada: Espanha, Portugal e, na América Latina, Colômbia, Peru, Chile e México", avança Francesc Muñoz, Chief Information Officer da Cuatrecasas. Os setores de atividade foram escolhidos devido ao "elevado potencial de transformação económica e social, nos quais acreditamos que o nosso conhecimento pode acrescentar um valor diferenciador tanto às startups como ao conjunto do ecossistema", afirma o responsável.
Segundo Francesc Muñoz, o Cuatrecasas Acelera dirige-se a "startups com uma componente tecnológica relevante e um modelo de negócio ou atividade inovadora, que se encontrem em fase de validação ou crescimento, consoante o sector, e que tenham ambição de escalar". Como realça, "é fundamental que o elemento jurídico ou regulatório seja parte central da sua atividade, seja pela tecnologia, pelo mercado em que operam ou pelo modelo de negócio". Em suma, "não se trata apenas de selecionar projetos com tração, mas sim de identificar aqueles em que o nosso acompanhamento pode gerar um impacto real".
As startups selecionadas terão acompanhamento jurídico de sócios e especialistas da sociedade de advogados internacional Cuatrecasas, orientado para os desafios jurídicos e regulatórios da atividade, formação prática através de workshops e mentorias de negócio. E também acesso ao ecossistema e rede de contatos da Cuatrecasas Innova, a entidade da sociedade responsável pela área da inovação.
As candidaturas são sujeitas a uma primeira filtragem a cargo de sócios, profissionais e colaboradores externos da Cuatrecasas, que compõem o comité de seleção. Em setembro, as pré-selecionadas apresentam os seus projetos ao comité, que escolhe as que vão integrar o programa Cuatrecasas Acelera.
Essa lista restrita de startups terá, por um período de cinco meses, acompanhamento legal especializado nas áreas jurídicas dos modelos de negócio onde atuam, assim como da integração de tecnologias emergentes em sectores regulados. O programa integra bootcamps, onde as startups podem assistir a sessões de formação sobre temas legais e empresariais. São também realizadas simulações de investimento.
Após estes trabalhos, realiza-se em fevereiro de 2027 um evento de clausura em Madrid ao qual assistem os responsáveis das startups participantes, os mentores, investidores, clientes e outros agentes do ecossistema. É então nomeada a startup vencedora da 11.ª edição, que continuará a receber assessoria legal personalizada para promover o projeto. No ano passado, foi distinguida a portuguesa Usawa Care, healthtech que disponibiliza acesso ilimitado a um pediatra em menos de quinze minutos, todos os dias, 24 horas por dia.
Segundo afirma ao DN/DV Luís Almeida Fernandes, CEO da Usawa Care , "vencer o Acelera foi muito útil para a Usawa - deu-nos enorme credibilidade, exposição a seguradoras e hospitais ibéricos e mais horas de apoio legal (que são críticas para o fecho da ronda de investimento)."
Já Francesc Muñoz destaca que, ao longo das dez edições, o Cuatrecasas Acelera trabalhou "com mais de 60 startups de diferentes áreas, todas elas com um denominador comum: operar em contextos com desafios regulatórios relevantes". As participantes "valorizam, em especial, o acesso a aconselhamento jurídico altamente especializado em fases iniciais, a capacidade de antecipar riscos e, sobretudo, a possibilidade de transformar a complexidade regulatória num elemento de diferenciação", adianta.
Para Francesc Muñoz, "Portugal consolidou-se como um ecossistema empreendedor dinâmico e atrativo na Europa, conjugando talento, capacidade de atração internacional e um aumento de iniciativas públicas e privadas, como a Unicorn Factory, parceira do Acelera em Portugal". Também tem observado que "cada vez mais startups espanholas procuram estabelecer-se ou iniciar atividade em Portugal, motivadas pela proximidade e por semelhanças de mercado e regulatórias". Na sua opinião, esta tendência "está a reforçar as sinergias ibéricas, com projetos e operações cada vez mais transversais entre ambas as geografias".