

O Grande Porto vai ganhar este ano 51 mil metros quadrados de novos escritórios, avança Sofia Pires, responsável da Dils pela área do Imobiliário Comercial na Invicta. E “70% desta nova oferta já está tomada”, frisa. Apesar do sucesso do modelo híbrido de trabalho, “as empresas têm demonstrado que querem o regresso dos colaboradores” ao escritório. Sofia Pires nota “esta tendência” nas companhias, que justifica pela importância de “promover a colaboração, a criatividade e a cultura da organização”.
Os promotores estão atentos a este movimento e, até 2028, deverão chegar ao mercado do Grande Porto 130 mil metros quadrados de escritórios. A Quest Capital e a Tikehau Capital estão a investir 70 milhões de euros para transformar o antigo centro comercial La Vie (junto à Rua de Santa Catarina, no Porto) num espaço que une escritórios e retalho, sob a designação HOP - Heart of Porto. O Castro Group está a finalizar a conversão de uma antiga unidade industrial em Leça do Balio num centro de escritórios, comércio e serviços. Chama-se Spark Matosinhos e teve um custo de 35 milhões de euros. Sofia Pires lembra ainda os projetos da Avenue, da Sonae Sierra e do Grupo Ferreira, e a reabilitação do antigo Matadouro pela Mota-Engil, todos os três na cidade do Porto, e a esperada expansão da Lionesa, em Leça.
Estes futuros escritórios têm em comum uma nova visão do espaço de trabalho e a sustentabilidade do produto. “São edifícios que permitem atrair e reter talento”, sublinha a responsável da consultora imobiliária Dils. Apostam em boas localizações, de fácil acesso por transporte público e privado, com oferta de comodidades e de serviços. Padrões ESG (ambiental, social e governação) e certificações verdes, como a BREEAM, LEED e a WELL, são também asseguradas.
No ano passado, o investimento em imobiliário comercial no país atingiu os 2,8 mil milhões de euros, um crescimento de 10% face a 2024. Segundo Sofia Pires, os investidores internacionais foram responsáveis por 60% deste volume. O grande foco foram os segmentos de escritórios e retalho. A região Norte captou mais de mil milhões de euros desse investimento e o Grande Porto garantiu quase 900 milhões.