

Os arquitetos Luís Lima e Patrícia Gomes decidiram dar valor económico aos resíduos de entulho e, em simultâneo, contribuir para a sustentabilidade da construção, um dos sectores que mais contribui com emissões de CO2 para a atmosfera. O projeto Matterpieces arrancou na pandemia e já se materializou em materiais de revestimento para cozinhas e quartos de banho, pavimentos e objetos de design.
Segundo Patrícia Gomes, a ideia surgiu de um conflito visual. "Ficámos chocados com a quantidade de resíduos gerada pelos trabalhos de demolição", sublinha. No entanto, lembra, são materiais com potencial de reutilização, mas cujo destino habitual é o aterro. Os dois arquitetos decidiram pôr mãos à obra e avançar com um ciclo experimental de mistura de resíduos de obras. O projeto que auto-designam de "garagem", acabou por dar frutos. "Criámos uma solução que traz potencial ao resíduo", afirmam.
Neste momento, têm em comercialização 13 texturas que podem ser aplicadas em pisos, revestimentos de parede, móveis e bancadas de cozinha ou banheiro. A matéria prima são vidros, azulejos, tijolos, cimentos, pedras, telhas e outros "lixos" que se encontram nos aterros. Mas para chegar aqui tiveram de encontrar parceiros industriais. Um caminho que também obrigou a alguma investigação, porque o país está pouco preparado para a circularidade de materiais.
Acabaram por encontrar uma empresa gestora de resíduos, que lhes fornece as matérias-primas, e uma indústria em Aveiro com capacidade para produzir os materiais idealizados por esta dupla. No portfólio, têm já algumas obras, que lhes permitiu faturar cerca de 100 mil euros no ano passado. Agora, sentem-se prontos para "ir para o mercado", mesmo o internacional. Segundo Patrícia Gomes, estes materiais têm como foco um segmento médio-alto, onde a sustentabilidade é vista como uma mais valia.
A Matterpieces já desviou dos aterros 90 toneladas de resíduos, evitou a emissão 7,8 toneladas de CO2 e economizou 15 toneladas de materiais virgens.