Anacom prevê entrada da Digi até novembro e partilha "otimismo" do operador para "entrada plena" em Portugal

Presidente da Autoridade Nacional de Comunicações esteve esta quarta-feira na Assembleia da República, onde revelou que tem tido reuniões com o operador de origem romena. As primeiras ofertas, que deverão incluir também conteúdos televisivos, chegam este ano, mas que ainda há obstáculos a superar.
Sandra Maximiano, presidente do conselho de administração da Anacom. Foto: Miguel A. Lopes / Lusa
Sandra Maximiano, presidente do conselho de administração da Anacom. Foto: Miguel A. Lopes / Lusa
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A Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom) acredita que a Digi irá lançar os primeiros serviços até novembro. O regulador tem mantido reuniões com o operador de telecomunicações de origem romena e a informação que dispõe é que a Digi pretende concretizar uma entrada completa no setor, ou seja, oferecer serviços fixo, móvel e de televisão.

"É expectável que a entrada da Digi ocorra até novembro ou, alargando um bocado o prazo, até ao final do ano", afirmou Sandra Maximiano, presidente do conselho de administração da Anacom, durante uma audição regimental na comissão parlamentar de Economia, Obras Públicas e Habitação.

Questionada sobre a chegada de um novo operador ao mercado nacional, a responsável revelou que o regulador tem mantido reuniões com a telecom, a fim de "perceber até que ponto as condições [para a entrada no setor] estão a ser satisfeitas, mostrando disponibilidade na remoção de [eventuais] obstáculos]".

Sandra Maximiano explicou que a demora da entrada da Digi deve-se aos trabalhos de construção de rede própria, mas também à resolução de "necessidades" que dependem de negociações com outras empresas, realçando que é "muito fácil" aos operadores já estabelecidos - Altice, NOS e Vodafone - "criar barreiras" aos novos players.

A presidente do regulador das comunicações reiterou na Assembleia da República o apelo feito há um mês no 33.º Digital Business Congress, da APDC, que os operadores históricos não criem "obstáculos" à Digi. "Seria importante deixar claro que, da nossa parte, queremos muito que os operadores que já estão cá hoje em dia não obstaculizem a entrada da Digi", afirmou.

A líder da Anacom defendeu que "é o mercado que indica o número de operadores" que o país pode ter. "Não há um número ideal", disse, notando que "um dos sinais" que faz crer que o setor pode ter mais empresas "é a vontade do operador e o investimento que tem feito" - da Digi, neste caso. "Ninguém investiria num mercado que exige grandes investimentos se não esperasse um retorno desse investimento", argumentou.

"Há um sinal claro que existe espaço", disse, com a responsável a realçar que a telecom romena pretende uma "entrada em pleno".

"Para entrar de forma plena no mercado de comunicações eletrónicas é preciso ter conteúdos televisivos", referiu, explicando que o trabalho da Digi tem passado por "negociar a obtenção de serviços com outras empresas, nomeadamente para ter acesso a sites e conteúdos televisivos", bem como "interligações [de rede móvel] para os [futuros] clientes conseguirem fazer chamadas e SMS com outros operadores".

"Partilhamos o otimismo da Digi para uma entrada em pleno em Portugal", adiantou, indicando que para haver concorrência com as ofertas em pacote da Altice, NOS e Vodafone é preciso ter também serviços de TV paga. Já se sabia que as ofertas da Digi estariam alicerçadas no negócio móvel e fixo. Ora, segundo as afirmações de Maximiano, a telecom deverá querer ter também ofertas relacionadas com televisão por subscrição, além de serviços de voz móvel e de internet de banda larga fixa. Resta saber se os serviços de televisão vão integrar as primeiras ofertas disponibilizadas no mercado.

O Jornal de Negócios noticiou, no final de maio, que o operador espera lançar os primeiros serviços na segunda metade do ano, dando conta que, numa primeira fase, a aposta incidirá na rede móvel e rede fixa apenas em Portugal continental. Ou seja, as primeiras ofertas da Digi não seriam disponibilizadas nos Açores e Madeira, nem estariam disponíveis para o setor empresarial. Contudo, segundo explicou aos deputados, com base na informação que recebeu da Digi, Sandra Maximiano afiançou "que já existe infraestrutura própria" da Digi nas regiões dos Açores e da Madeira.

A entrada da Digi no mercado de telecomunicações nacional confirmou-se em outubro de 2021, após o operador investir mais de 67 milhões de euros em licenças 5G. Desde então que o setor aguarda pelo "ataque" do operador romeno ao mercado português. Analistas chegaram a apontar o lançamento dos primeiros serviços para 2023, mas essa previsão resvalou para abril deste ano. O calendário acabou por ser novamente revisto.

Na última semana, a Digi anunciou ter chegado a acordo com o holandês ING Bank um empréstimo de 150 milhões de euros a três anos, para suportar uma dívida de 450 milhões de euros que vence em 2025. A operação de refinanciamento estará em linha com outros acordos, para o desenvolvimento das redes de telecomunicações em Portugal, mas também noutros países onde opera (Roménia, Espanha, Itália e Bélgica).

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