Tem 33 (quase 34 anos), chama-se Oleg Kutkov e é um engenheiro ucraniano que nasceu na Crimeia e vive em Kyiv (Kiev) com a mulher e filha e em permanente sobressalto devido aos bombardeamentos russos.
Falámos com ele a partir do seu bunker improvisado no seu apartamento, em Kyiv, sobre a importância da Internet na Ucrânia nesta altura e do sistema Starlink - Kutkov foi dos primeiros a usá-lo esta semana no país, após Elon Musk o ter disponibilizado, e virou notícia nos Estados Unidos no site The Verge.
Mas mais do que um engenheiro sénior (embedded: que além de programador, optimiza o código de acordo com a plataforma de hardware usada) na empresa ucraniana Ubiquiti Networks, ele é um verdadeiro perito em resolver desafios técnicos. Os seus feitos estão descritos em inglês no seu site olegkutkov.me e incluem várias vulnerabilidades ou bugs descobertos especialmente nos carros da Tesla e nos serviços da SpaceX (do Starlink aos foguetões) - é fã das empresas lideradas por Elon Musk e da sua tecnologia e já é conhecido dos engenheiros de ambas as entidades.
Mesmo após instalar a antena/terminal da Starlink e ter comprovado que a Internet por satélite funciona e é rápida, desmontou a antena da sua janela (ficou surpreendido por ter acesso mesmo da janela de um apartamento), para não alertar os vizinhos. "Podiam não perceber o que era, achar estranho uma nova antena numa janela e chamar a polícia sem necessidade, só volto a colocar permanentemente se precisar mesmo... esperemos que não precise".
A conversa (em inglês):
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Além de criar eletrónica criativa também é, sem surpresa, apaixonado por espaço e astronomia. Nasceu na Crimeia, estudou na cidade conhecida pelas suas universidades de Kharkiv na Universidade Nacional Aeroespacial e admite tristeza e ansiedade pela situação atual, pelos bombardeamentos na cidade em que vive e em Kharkiv, que conhece tão bem.
Admite, também, a importância da Internet por satélite (Starlink) caso os russos consigam mandar a Internet por cabo a baixo, algo que explica que já aconteceu no sul do país. "Quando saiu o artigo do The Verge recebi centenas de mensagens de pessoas do sul da Ucrânia já sem conetividade ou apenas por rede móvel 3G ou 4G que querem arranjar um terminal Starlink ou montar", explicou.
Por outro lado, a forma como as autoridades do seu país têm usado a Internet para comunicar, passar a mensagem, permitir denúncias dos cidadãos e conseguir pressionar pessoas importantes a nível mundial fá-lo admite que "a Internet tem sido crucial e bem utilizada por quem está preparado para o século XXI e, nós ucranianos, sabemos usar bem a Internet".