

Um mês depois de o Governo ter classificado como "ação de relevante interesse público", o cabo submarino intercontinental, em fibra ótica, que integra o sistema de cabos 2Africa, foi amarrado a Portugal.
A amarração começou a ser feita durante a madrugada desta terça-feira na estação de cabos submarinos de Carcavelos, em Cascais, que é controlada pela Altice Portugal. O processo ficará concluído durante o dia de hoje.
O 2Africa consiste num sistema de cabos submarinos que liga a Europa e circundará todo o continente africano, com aproximadamente 45 mil quilómetros de comprimento, ligando um total de 33 países. Cinco na Europa, 19 em África, sete no Médio Oriente e dois na Ásia. É um dos maiores cabos submarinos do mundo.
Em Portugal, o cabo que integra o 2Africa atravessa perpendicularmente a praia de Carcavelos e amarra na câmara subterrânea atualmente existente no passeio marítimo a sul da Avenida Marginal, na freguesia União de Freguesias de Carcavelos e Parede, concelho de Cascais.
A ligação de Portugal ao 2Africa reforça a participação do país nos nós de transmissão de dados para o resto do mundo.
Há 464 cabos submarinos em todo o mundo, num total de 1,3 mil milhões de quilómetros que asseguram 95% do tráfego de dados intercontinentais, e Portugal está ligado a 13. Alguns desses sistemas representam gingatescos investimentos de empresas como a Google, Meta, Amazon ou Microsoft.
O 2AFRICA é desenvolvido pela Alcatel Submarine Networks e conta com o investimento e participação das empresas tecnológicas e de telecomunicações China Mobile International, Meta (dona do Facebook), MTN GlobalConnect, Orange, Center3, Telecom Egypt, Vodafone/Vodacom e WIOCC. A Vodafone Espanha é a promotora do projeto na Península Ibérica.
"A Vodafone associa-se orgulhosamente a este projeto que faz de Portugal uma peça fundamental no desenvolvimento tecnológico, reforçando ainda mais a ligação do País ao mundo”, afirma Paulino Corrêa, chief network officer da Vodafone Portugal, num comunicado enviado à redação ao final da manhã.
Este sistema internacional de cabos submarinos deverá estar totalmente operacional até ao final de 2024, permitindo o acesso em banda ultra larga em grande parte do planeta, através de uma capacidade total de 180 terabytes por segundo.