

O Banco Central Europeu (BCE) vai reunir-se esta semana, num contexto de valorização do euro, onde as taxas deverão manter-se e o foco será nas perspetivas para o futuro, segundo analistas.
A reunião, que decorre entre quarta e quinta-feira, terá como pano de fundo a valorização do euro, reacendendo os receios de inflação excessiva e repercussões negativas para as economias mais voltadas para exportação, como a Alemanha.
Mesmo assim, para o diretor de Investimento Global de Mercados Públicos da Allianz GI, Michael Krautzberger, o BCE deve manter as taxas de juro na sua próxima reunião.
"Considerando os dados atuais do crescimento e da inflação e a redução das tensões entre os EUA e a Europa no que respeita às tarifas, não há urgência para o BCE abandonar a sua 'boa posição'”, salientou o analista, numa nota de análise.
No entanto, "um corte preventivo da taxa de juro por parte do BCE é possível e justifica-se e a próxima reunião, em março, poderá ser uma oportunidade para agir", sinalizou.
O economista sénior da Generali AM, Martin Wolburg, também acredita que a presidente do BCE, Christine Lagarde, vai manter uma postura cautelosa, dependente dos dados económicos, embora sugerindo que uma valorização persistente do euro poderia justificar taxas de juros abaixo do nível de 2%, atualmente considerado um "bom patamar".
O presidente do Banco de França, François Villeroy de Galhau, sublinhou que o BCE está a "monitorizar de perto a valorização do euro e as suas potenciais consequências em termos de inflação".
A ascensão da moeda única acelerou na semana passada, com o euro a atingir máximos de quatro anos e meio, acima de 1,20 dólares, depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, descrever a desvalorização do dólar como "fantástica".
Embora o BCE não tenha como meta nenhum nível específico de taxa de câmbio, reitera regularmente que as flutuações cambiais são monitorizadas porque influenciam diretamente a trajetória da inflação.
"Este é um dos elementos que vai guiar a nossa política monetária e as nossas decisões sobre as taxas de juros nos próximos meses", afirmou de Galhau, também membro do Conselho de Governadores do BCE.
Os analistas consideram que BCE deverá manter suas taxas de juros pela quinta vez consecutiva, já que as autoridades acreditam que a inflação está a estabilizar em torno de 2%, a meta da instituição.
"O grande tema da reunião de quinta-feira em Frankfurt será a força do euro em relação ao dólar e o que as autoridades terão a dizer sobre isso", resume Felix Schmidt, do Berenberg, em entrevista à AFP.
O dólar está a desvalorizar-se, em particular, devido às preocupações com a imprevisibilidade percebida de Donald Trump em relação à maior economia do mundo, salientou.
A análise da Allianz GI também destaca que a reunião do BCE "deverá ser dominada menos pela decisão sobre a taxa de juros em si do que pela avaliação do Banco sobre os riscos de inflação a médio prazo e as perspetivas de longo prazo para a política monetária".