A Heineken, a dona da Sagres, prepara-se para cortar 8 mil empregos, no âmbito de um plano de reestruturação que visa obter poupanças de 2 mil milhões e euros nos próximos dois anos, noticiou o Financial Times. O corte, anunciado pelo CEO Van den Brink, esta quarta-feira, representa uma redução de 10% dos cerca de 85 mil trabalhadores do grupo em todo o mundo, e visa devolver as margens positivas à companhia.
A Heineken fechou o ano passado com prejuízos de 204 milhões, uma queda de 109,4% e com as receitas a recuar 16,7%, para 23,770 mil milhões, sofrendo com o impacto do fecho dos cafés e restaurantes por causa da pandemia.
"A avaliação é feita País a País perante as repercussões diferenciadas da pandemia, negócio, em cada território", reagiu Nuno Pinto Magalhães, diretor de comunicação e relações institucionais da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, quando questionado sobre o impacto deste plano da Heineken na operação da cervejeira em Portugal.
Quanto à eventual redução de postos de trabalho, "partilharemos quando e se tivermos informação para partilhar sobre este assunto", diz o porta-voz da cervejeira em declarações ao Dinheiro Vivo. A companhia garante não tencionar recorrer a apoios do Estado.
O plano da Heineken passa igualmente pela redução de linhas de produção - em alguns mercados europeus serão reduzidos até um terço, disse van den Brink - e de investimento publicitário local ineficiente.
"Tal como no ano passado a nossa produção/enchimento, de cervejas e águas, estão a responder plenamente aos pedidos do mercado, que neste momento e face ao encerramento do canal HoReca, é só para o canal alimentar", diz Nuno Pinto Magalhães. "Temos as duas unidades de produção - Vialonga e Luso - a funcionar, mas ajustada ao fecho dos cafés e restaurantes", diz, lembrando que neste momento apenas o canal alimentar - super e hipermercados - está aberto.
As linhas de engarrafamento para este canal (garrafas não retornáveis) está assim a laborar, mas, a de enchimento de barril (específica para o HoReCa) está fechada.
Quanto ao investimento publicitário, "para já o mesmo nível de investimento do ano transato", diz embora admita novos ajustamentos dado o elevado grau de imprevisibilidade.
Em Portugal, bares e restaurantes, que representam a maior fatia de receitas das cervejeiras, estão novamente fechados, tudo indica até à Páscoa, dado o confinamento geral decretado para combater a propagação da pandemia.
O fecho do HoReca - fechado o ano passado em março e que só reabriu a partir de maio com limitações, sendo que os Bares e espaços noturnos nem chegaram a abrir portas - impacto fortemente a indústria de bebidas, tendo em junho o Super Bock Group e, mais tarde, em novembro, a Sumol + Compal avançado para um plano de redução dos trabalhadores.
A nível global, a Heineken viu a pandemia afetar resultados, com os volumes de vendas de cerveja a recuar 8,1%, com mais restrições no final do quarto trimestre a levar a que apenas cerca de 30% dos espaços HoReca estivessem a funcionar até final de janeiro. Com este plano, a empresa pretende aumentar as margens de lucro de 12,3% para 17% até 2023.
A Heineken espera que as "condições de mercado comecem a melhorar gradualmente a partir da segunda metade de 2012 e que continuem a melhorar até 2022, com diferenças significativas entre mercados e canais. Em concreto, vemos uma recuperação lenta no canal on trade na Europa".