A easyJet vai abrir na próxima Primavera uma base sazonal em Faro. Esta será a terceira base aérea da companhia aérea low-cost em Portugal. Deverá criar cerca de uma centena de postos de trabalho.
"Temos duas bases em Portugal, uma em Lisboa e outra no Porto, com nove aviões - cinco em Lisboa e quatro no Porto. Temos 66 rotas servindo os quatro principais aeroportos do País [Porto, Lisboa, Faro e Funchal]. Hoje anunciamos a abertura da terceira base da easyJet em Portugal. Uma base sazonal, em Faro", indicou José Lopes, diretor da easyJet para Portugal, durante a cerimónia no ministério da Economia, em Lisboa.
"Faro é o segundo maior ponto da rede easyJet que ainda não era uma base. Foi em 1999 que começámos a operar para esta região. É uma das preferidas dos clientes que vêm a Portugal. Desde então, transportámos 20 milhões de passageiros para esta região", acrescentou.
A base de Faro iniciará funções na próxima primavera "criando cerca de cem empregos diretos no Algarve e muitos mais indiretos para suportar não só a nossa operação mas os turistas que irão chegar, num momento de grande necessidade para o País de retomar depois da crise estamos a atravessar". O gestor explicou, para ocupar estas cerca de 100 vagas vai ser dada prioridade aos funcionários da empresa, tanto aos que trabalham já em Portugal, como aos que estão em outros pontos da rede europeia.
"A nossa prioridade é dar oportunidade a todos os que trabalham connosco (...) se a sua vida pessoal assim o permitir, e for uma vantagem para si, vão ter a oportunidade para pedir transferência para Faro. Será voluntário. Iremos também permitir a todos os nossos funcionários easyJet, a oportunidade para transferirem-se para Faro". A easyJet tem em curso um processo de redução da sua frota; contava com 350 aeronaves e pretende ficar com 302, "uma necessidade para sobreviver à crise que estamos a viver".
Com a diminuição do número de aviões, o número de funcionários também vai sofrer alterações. "Esse processo leva a uma redução do número de empregados global em cerca de 30% e a nossa preocupação principal são as nossas pessoas. Os nossos empregados que estão nas nossas jurisdições e que estão a atravessar processos de consulta para reestruturação são aqueles que terão primazia depois dos portugueses para transferirem-se para preencher estas vagas. Se, no fim disto, não tivermos preenchido todas as vagas iremos abrir um processo externo".
Esta terceira base da transportadora aérea low-cost em Portugal vai contar com três aviões - Airbus 319 - para já e vai permitir um reforço da operação, que corresponde nesta altura a 17 destinos internacionais.
"As mudanças mundiais estão a indiciar mudanças para os consumidores nos próximos anos e, sendo nós uma das mais destacadas companhias aéreas para os principais destinos na Europa, vamos continuar a investir no mercado de lazer para garantir e manter a nossa posição de liderança. É expectável que este mercado de lazer seja o que vá reagir mais rapidamente numa retoma pós-crise", disse ainda José Lopes.
O ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, presente no evento, saudou este investimento da companhia britânica e assinalou que investir no setor transporte aéreo numa altura em que este vive uma grave crise "é um sinal de confiança no futuro; um sinal de capacidade de identificar oportunidades e a lição a que todos podemos extrair é que quem se prepara nos momentos difíceis para responder da melhor forma à retoma são os que, provavelmente, vão aproveitar melhor aquilo que seja a retoma. Sabemos que a procura existe embora esteja neste momento reprimida pelas medidas de contenção que vários Estados estão a adotar".
O turismo, tal como a aviação civil, atravessa uma das suas piores fases devido e aos receios e às restrições aplicadas devido à pandemia. Siza Vieira mostra-se confiante de que a "procura não desapareceu e voltará com uma força redobrada assim que as restrições forem levantadas". E considera que "a easyJet é um parceiro importante no nosso setor turístico. A acessibilidade dos visitantes ao nosso País faz-se sobretudo por via aérea, por isso a capacidade que tivermos para reforçar as ligações aéreas do nosso País aos vários pontos de onde são originários os turistas que nos visitam é importante para continuarmos a reforçar esta capacidade de Portugal atrair visitantes".
Apesar de a realidade de 2020 ser bastante diferente, uma vez que a atividade turística foi suportada sobretudo pelos turistas nacionais, nos últimos anos o peso dos não residentes tem sido elevado. Em 2019, as unidades de alojamento turístico acolheram quase 27 milhões de turistas, dos quais mais de 16 milhões eram estrangeiros, grande parte dos quais chegou por via aérea.
(Notícia atualizada pela última vez às 10h30)