De acordo com as contas anuais enviadas à Comisión Nacional del Mercado de Valores na semana passada, a Pescanova contabiliza o seu negócio em Portugal pela primeira vez como ativo mantido para venda, valorizando os investimentos que já realizou na quinta de Mira em 107,8 milhões de euros. A filial portuguesa registou perdas de 17,4 milhões de euros em 2014.
Segundo fontes citadas pela imprensa espanhola, o grupo de bancos credores da Pescanova, que se converterão em princípio nos principais acionistas da Nova Pescanova no último trimestre do ano, considerarão a saída de Portugal visto que "o passivo atribuído a Portugal é maior do que o ativo".
A maior quinta aquícola da Europa foi um projeto PIN do tempo de Sócrates, inaugurado em 2009, e recebeu incentivos fiscais de cerca de 45 milhões de euros do Governo português e um financiamento comunitário de 24 milhões de euros. Tem estado a funcionar graças à injeção de capital dos principais bancos credores - Caixa Geral de Depósitos, o Banco Espírito Santo e o Banco Português de Investimento -, que mantêm a atividade para não desvalorizar o empreendimento que emprega 180 pessoas enquanto aguardam uma oferta pela Acuinova Portugal. Em novembro passado, a banca portuguesa rejeitou uma oferta da maior cadeia de supermercados espanhola, Mercadona, por "não cumprir as expetativas" dos credores financeiros.
Desde fevereiro do ano passado que o plano de viabilidade da Pescanova estabeleceu que não seria injetado mais capital na quinta aquícola portuguesa e, em julho, a PwC terá sido mandatada para vender a Acuinova Portugal.