Inovação, o motor do progresso

Portugal mantém-se abaixo da média europeia neste indicador, embora esteja à frente de outros países do Su
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Embora o entusiasmo, e até orgulho, nacional seja cada vez mais alimentado pela crescente aposta em startups - normalmente associadas de imediato à inovação -, a verdade é que Portugal ainda é tido como um país moderado neste campo, quando comparado com os restantes membros da União Europeia (UE).

Quem o diz é a Comissão Europeia através dos dados do Painel de Inovação, divulgados em meados deste ano, onde a representação nacional ocupa o 14º lugar entre os 28 possíveis. Ainda assim, Portugal está à frente de países como Espanha e Itália, mas abaixo da média da UE e com ligeiramente menos pontos em relação a 2015.

Partindo do pressuposto de que inovar significa conceber algo novo, pegar em ideias e explorá-las com sucesso, foram analisadas as empresas que mais financiamento receberam para a Inovação em 2016. Para apurar as líderes nesta categoria consideraram-se as Despesas de I&D em relação ao Volume de Negócios, Projetos de Desenvolvimento face ao Valor Bruto de Produção, bem como Emprego em I&D comparado com o Emprego total.

Poucas saídas e algumas melhorias

No que respeita às empresas que ocupam o top 10 da subcategoria de bens, apenas a Bial, cuja atividade está centrada no fabrico de medicamentos, mantém a posição como líder em relação ao último ano. Segue-se a estreante Cabopol, dedicada ao fabrico de matérias plásticas sob formas primárias, no segundo lugar da tabela, e a EFACEC Energia, que sobe duas posições face à edição anterior, conquistando a medalha de bronze.

Apesar de garantir a manutenção da posição cimeira, a Bial cresceu nos dois indicadores que mais contribuem para o destaque no ranking - em 2015, a percentagem de projetos de desenvolvimento face ao valor bruto de produção fixava-se junto aos 95%, valor que subiu para mais de 136%. Já no que diz respeito ao emprego na área de I&D, a farmacêutica aumentou três pontos percentuais de cerca de 9% para pouco mais de 12%. De Porto de Mós chega a Cabopol - Polymer Compounds, que entra sem medos para a segunda posição da tabela. É, no entanto, a empresa do top 10 que apresenta a percentagem mais elevada (0,44%) nas despesas I&D face ao volume de negócios de 2016, indicador estabilizado acima dos 237 milhões de euros.

A indústria continua a dominar entre as dez empresas que se destacam, abrindo espaço à entrada de outros três players: a OLI - Sistemas Sanitários, a representar o fabrico de artigos de plástico para a construção; a Tecnimede, que atua na produção de medicamentos; e a CIN, com o fabrico de tintas e produtos similares.

Serviços dominados por empresas do Sul

Ao contrário dos bens, a subcategoria de serviços está amplamente concentrada na região de Lisboa e, na sua maioria, com atividade centrada na área das Tecnologias de Informação (TI), à semelhança do último ano. A conquista do top três manteve-se pelas mãos das mesmas empresas, sendo que houve apenas uma alteração de posições: a Celfocus passou do segundo lugar para a liderança, trocando de posição com a Novabase, e a Irmãos Vila Nova assegurou a manutenção da terceira posição.

As duas líderes são, também, as únicas entidades do top 10 a apresentar despesas de I&D face ao volume de negócios (a Celfocus tem uma percentagem de 3,23% enquanto que a Novabase apresenta 4,97%).

Por outro lado, a Celfocus - que pertence ao grupo Novabase - destaca-se por ser a empresa com maior percentagem de emprego em I&D com mais de 16% contra pouco mais de 7% da Novabase Business Solutions. Já a Irmãos Vila Nova, dedicada ao comércio por grosso de vestuário e acessórios, manteve a posição na tabela, ainda que com alterações em dois dos indicadores. Apresenta uma ligeira redução na taxa de investimento acumulado em I&D (0,25% face aos 0,30% de 2015) e uma subida na percentagem de emprego em I&D (10,30% face aos 9% de 2015).

O ranking das 10 maiores é ainda composto pelas empresas OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal, SIBS Forward Payment Solutions, Metropolitano de Lisboa, Vodafone Portugal e Altice Labs, perfazendo um total de 1,7 mil milhões de euros em volume de negócios.

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