Lucro da Galp cresce 35% para 337 milhões de euros no primeiro trimestre

Resultado líquido atribuível a acionistas caiu 7%. Petrolífera considera "robusto" o resultado obitdo nos primeiros três meses do ano. O EBITDA cresceu 13%, mas o volume de negócios recuou 1%.
Lucro da Galp cresce 35% para 337 milhões de euros no primeiro trimestre
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A Galp Energia obteve um resultado líquido ajustado de efeitos não recorrentes e do impacto dos custos de substituição de stocks de 337 milhões de euros entre janeiro e março, mais 35% face a igual período de 2023. No entanto, em termos homólogos, resultado líquido atribuível aos acionistas caiu 7%, para 410 milhões de euros no primeiro trimestre, revela a petrolífera esta terça-feira.

Segundo as contas veiculadas pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a empresa liderada por Filipe Silva considera o resultado obtido "robusto", devido ao "sólido desempenho no upstream [exploração e produção] e na refinação e pela contribuição das atividades de gestão de energia”.

O lucro do grupo antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) foi de 974 milhões de euros, no primeiro trimestre, o que representa um crescimento de 13% face aos 864 milhões dos primeiros três meses de 2023, e "reflete o forte desempenho operacional no trimestre.

O volume de negócios da petrolífera de origem portuguesa encolheu 1%, para 5 075 milhões de euros.

A margem de refinação baixou para 12 dólares (11,20 euros aproximadamente) por barril, face aos 14,3 dólares por barril do primeiro trimestre de 2023.

O cash flow operacional ajustado (FCO) registou uma subida homóloga de 363 milhões para 595 milhões de euros, “refletindo um sólido desempenho operacional”, referiu a Galp.

Já o investimento (capex) nos primeiros três meses do ano totalizou 311 milhões de euros, mais 81% face ao período homólogo do ano anterior. A Galp realça que 77% do capex foi canalizado para a exploração e produção de petróleo, enquanto 16% foi aplicado em atividades de indústria, com o remanescente a ser aplicado em negócios relacionados com as energias renováveis e restantes operações.

"O investimento em upstream foi maioritariamente direcionado para projetos em execução e desenvolvimento no Brasil, nomeadamente [o projeto designado de] Bacalhau e Tupi & Iracema, bem como para a campanha de exploração na Namíbia, que representou 31% do capex de upstream (participação de 80% da Galp).  O capex industrial foi maioritariamente direcionado para projetos transformacionais, nomeadamente o ramp-up dos trabalhos de construção da unidade de biocombustíveis avançados no complexo industrial de Sines", lê-se.

No relatório e contas, a Galp faz um ponto de situação sobre a exploração que decorre na Namíbia, onde se confirmou em abril uma "descoberta comercial importante". "As atividades exploratórias identificaram colunas de petróleo significativas que contêm petróleo leve em areias de reservatório de alta qualidade e confirmaram uma extensão lateral de um alvo identificado. As medidas de registo dos reservatórios confirmam boas porosidades, altas pressões e altas permeabilidades em grandes colunas de hidrocarbonetos", lê-se. 

"As amostras de fluido apresentam uma viscosidade de óleo muito baixa e contêm concentrações mínimas de dióxido de carbono e nenhuma concentração de H2S [sulfeto de hidrogénio]", prossegue a petrolífera, notando que os testes atingiram "os limites máximos permitidos de 14 kboepd, posicionando potencialmente Mopane como uma importante descoberta comercial".

"Só no complexo de Mopane, e antes da perfuração de poços adicionais de exploração e avaliação, as estimativas de hidrocarbonetos no local são de 10 mil milhões de barris de petróleo equivalente, ou mais", estima a Galp.

Este trabalho de exploração visa poços em Mopane, no Sul da Namíbia, junto à fronteira com a África do Sul, e insere-se numa área de cerca de dez mil quilómetros quadrados na bacia de Orange. Integra o portefólio upstream da Galp naquele país, que consiste na licença de exploração petrolífera n.º83 (PEL 83), que inclui a exploração desde águas pouco profundas a águas ultraprofundas. O PEL 83 é explorado por um consórcio liderado pela Galp (80%) e pela Namcor, petrolífera do Estado da Namíbia, e a Custos Energy, detida em 49% pela canadiana Sintana Energy, controlam 10% cada.

A 31 de março, a dívida líquida da Galp Energia ascendia a 1 506 milhões de euros, mais 106 milhões de euros do que no final de março de 2023. A empresa refere que o rácio da dívida face ao EBITDA "manteve-se robusto em 0,4 vezes". No final do primeiro trimestre, a petrolífera tinham "disponibilidades" na ordem dos 1783 milhões de euros, enquanto as linhas de crédito não utilizadas aingiam os 1 167 milhões de euros, sendo que cerca de 73% desse valor "estava contratualmente garantido". "O custo médio de financiamento no período, incluindo o custo das linhas de crédito, foi de 4,1%",lê-se.

Nota - Informação corrigida, pelas 8h. Inicialmente, o artigo informava no título que o resultado líquido da empresa tinha caído, com base no resultado atribuível a acionistas, mas o dado que avalia, em termos comparáveis, o lucro da empresa é o resultado líquido RCA (ajustado de efeitos não recorrentes e do impacto dos custos de substituição de stocks).

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