Os portais imobiliários estão a asfixiar as empresas de mediação. O alerta é do presidente da Associação dos Mediadores do Imobiliário de Portugal (ASMIP), Francisco Bacelar, que aponta o aumento exponencial dos preços nos anúncios, que em alguns casos atinge os 100%, como uma ameaça à sobrevivência de muitas mediadoras.
"A principal fatura das empresas de mediação tem vindo a subir em flecha por força da pressão de alguns portais, que ao atingirem certos graus de monopólio se fazem valer disso para subirem preços, nalguns casos em 100%!", diz Francisco Bacelar, em comunicado enviado às redações.
São "abusos de posições dominantes que urge apontar, e travar, sob pena de condenar inúmeras empresas, e respetivas famílias que delas dependem, em favor dos impérios financeiros, alguns externos ao país, que ditam estas práticas, e delas beneficiam em larga escala", sublinha na mesma nota.
Segundo o responsável, as mediadoras imobiliárias têm de suportar os custos mensais fixos com os anúncios, a que somam "substanciais acréscimos" com os serviços de destaque.
"Na prática paga-se para estar presente, mas só investindo forte em destaques se obtém resultados", acusa Francisco Bacelar. Na sua opinião, "é como comprar um carro, mas só pagando várias mensalidades extra o podemos utilizar".
O presidente da ASMIP revela ainda que já há quem "quem venda espaço publicitário nos anúncios pagos por nós, ou os use em proveito próprio através de empresa criada para o efeito".
"Trata-se da tentativa da 'pesca de arrasto" aos potenciais interessados em crédito bancário. Basta o interessado num dos nossos anúncios fazer simulação do crédito para esse imóvel, o que obriga ao seu registo com NIF, para que o nosso fornecedor de serviço, já pago para o efeito, beneficie duplamente do nosso anúncio, ficando com direitos financeiros sobre um futuro crédito, uma vez que a empresa de mediação/intermediação, já não poderá registar na banca esse cliente como seu", sublinha no comunicado.
A ASMIP tem recebido inúmeras queixas de mediadoras devido à atuação dos portais, sendo que há já empresas que decidiram deixar de estar sujeitas a estes players do mercado.
Francisco Bacelar apela "ao bom senso" destes operadores, "e ao recuo na prepotência e concorrência direta com os seus anunciantes".