"Dizem que os educadores de infância não cabem na missão da Segurança Social, isto porque entregaram os infantários às misericórdias e à Cruz Vermelha há um ano, mas trabalho aqui desde 2002, não como educadora de infância, mas como técnica de apoio às IPSS", queixou-se. Tem até amanhã para entregar o currículo e já tem marcada uma entrevista, que será o modo de seleção entre 139 educadores de infância de todo o país que foram convocados para preencher apenas 25 vagas.
Restam 10 vagas e a categoria mais afetada pelas intenções de requalificação (significa despedimento imediato para quem entrou depois de 2009 e, para os restantes, um ano a receber 60% do salário e depois 40%) são os assistentes operacionais. São 526 motoristas, auxiliares, administrativos e outros trabalhadores, cuja média salarial ronda o salário mínimo, "paus para toda a obra" que o Governo considerou excedentários.
"Trabalho no Centro Distrital do Porto há 18 anos e ganho 518,34 euros", denunciou José Nogueira, um dos mais de 300 funcionários do serviço mais afetado pela requalificação que, ontem, se juntou ao cordão humano em protesto contra o "maior despedimento coletivo do país". José Nogueira tem 53 anos, desempenha funções administrativas e já temia que a atual situação viesse a surgir quando "começaram a meter desempregados no serviço, a troco de mais 20% sobre o subsídio de desemprego, mais o passe e o subsídio de refeição".
O mesmo já tinha sido denunciado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Pública e de Entidades com Fins Públicos (SINTAP), que requereu uma providência cautelar e conta, até ao final da próxima semana, apoiar outras "170 providências cautelares individuais" como resposta às notificações recebidas pelos trabalhadores. Segundo José Abraão, secretário-geral do SINTAP, na segunda-feira "será entregue ao ministro do Emprego da Segurança Social uma carta e um abaixo-assinado para que o Governo volte atrás". O ministro visado, Pedro Mota Soares, garantiu, ontem, na Assembleia da República, que nenhum trabalhador da Segurança Social será despedido. O processo corrente visa, segundo o ministro, requalificar funcionários que não têm funções atribuídas, o que "não é estímulo para ninguém".
"Trabalho é que não falta, mas não somos nós que ficamos caros. E é difícil trabalhar sem haver dinheiro para material e enviar cartas abertas porque não há cola no serviço", lamentou José Nogueira.
No distrito do Porto, foram notificados 166 trabalhadores. A maioria são assistentes operacionais, 17 são docentes, 11 são técnicos de terapia e um é enfermeiro. Segue-se Lisboa, Lisboa com 138 "excedentários": do Centro Distrital saem 84 pessoas e do Centro Nacional de Pensões 9. Nos Serviços Centrais de Lisboa há 7 vagas e, no resto do país há mais 35 vagas. O total de 697 trabalhadores notificados para requalificação distribuem-se pelo resto do país da seguinte forma: 32 (de 452) em Aveiro; 10 (de 174) em Beja; 51 (de 569) em Braga; 21 (de 153) em Bragança; 25 (de 267) em Castelo Branco; 15 (de 353) em Coimbra); 11 (de 228) em Évora; 11 (de 341) em Faro; 8 (de 166) na Guarda; 27 (de 267) em Leiria; 19 (de 187) em Portalegre; 33 (de 323) em Santarém; 89 (de 561) em Setúbal; 5 (de 201) em Viana do Castelo; 18 (de 194) em Vila Real; e 19 (de 310) em Viseu.