Principais desafios do 5G estão "relacionados com a implantação"

A revolução 5G vai ser liderada nos próximos anos pela Coreia do Sul, Singapura, Reino Unido, Estados Unidos e a China, aponta Matthew Griffin, o futurista que é apelidado de conselheiro dos conselheiros.
Publicado a

Matthew Griffin, futurista e conselheiro estratégico de grandes empresas e líderes, considera, em entrevista à Lusa, que os principais desafios do 5G estão "relacionados com a implantação" devido à sua natureza, mas abrirá portas a uma variedade de aplicações.

Griffin é um dos oradores do 31.º congresso da APDC - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações "The Way Forward - Tech & Economics", que decorre a 11 e 12 de maio em modelo híbrido, em Lisboa.

Depois de trabalhar na IBM, Atos e Dell, Matthew Griffin fundou o 'think tank' (grupo de reflexão) Instituto 311, do qual é presidente executivo, e durante o congresso da APDC vai falar sobre o tema "5G - The Next Generation".

Em entrevista à Lusa por escrito, o futurista apelidado de 'conselheiro dos conselheiros', considera que "os principais desafios" do 5G (quinta geração móvel) "estão relacionados com a implantação" da tecnologia, devido "à natureza do mmWave [ondas milimétricas] 5G (5G NR), que é muito rápido, mas cujo sinal percorre apenas uma curta distância e é facilmente bloqueado".

No entanto, "o 5G irá abrir as portas para uma variedade de incríveis" novas aplicações desde as cirurgias robóticas, "onde os cirurgiões estão num continente e os seus pacientes estão noutro", bem como jogos imersivos com 'zero lag' [atraso zero] ou inovação contínua, "onde os dados transmitidos dos produtos são analisados por inteligências artificiais criativas que, em seguida, replicam a próxima versão do produto" antes de seguirem para a fábrica 'digital twins' [réplicas virtuais de um produto físico], refere.

Sobre quais são os países que vão liderar a revolução 5G nos próximos anos, Matthew Griffin aponta a "Coreia do Sul, Singapura, Reino Unido, Estados Unidos e a China, com outros alcançando rapidamente".

E quanto ao 6G? Griffin sublinha que a sexta geração "será mais rápida - na faixa de largura banda de terabits por segundo" e que poderá estar no mercado dentro de seis anos.

"E, ao contrário do 5G, estender-se-á até 10 quilómetros no céu, um recurso chamado 'ISAGUN' - quando virmos o 6G por volta de 2028, a sua velocidade abrirá a porta para a comunicação [entre cérebros humanos] 'Brain to Brain' (B2B) - telepatia -, que já foi demonstrada, e muitos outros novos casos de uso, mas, como a implantação 5G de tecnologias terahertz, provavelmente será problemática", considera.

No que respeita à inteligência artificial (IA), que já é uma realidade, Matthew Griffin sublinha que o principal desafio "é remover o preconceito dos modelos de IA", que é um problema de treino, e fazer com que esta tecnologia "explique cada vez mais as decisões que toma, que podem ser resolvidas com algo chamado 'Explainable AI' [IA explicável]".

No entanto, "também vimos as IA do Google, Meta e OpenAI a evoluírem espontaneamente e a 'exceder a sua programação'", sublinha.

No caso da Google, as suas inteligências artificiais "foram encarregadas de se comunicar umas com as outras, elas criaram a sua própria linguagem e encriptaram-na", enquanto a "matemática aprendida espontaneamente" pela IA da OpenAI e os 'bots' [programas de computador] de preços da Meta [dona do Facebook] "aprenderam a conspirar uns com os outros...", exemplifica Griffin.

"Muitos dos problemas de IA que temos hoje são pálidos em comparação com o que está para vir", alerta, referindo-se à IA a desenhar outras inteligências artificiais "e até IA que recentemente criaram computadores dentro si que podem executar código e outras IA dentro de si".

Tudo isto "parece ficção científica, mas é um facto científico hoje", remata o futurista e conselheiro, que tem entre os seus clientes membros da realeza, líderes mundiais, governos do G7 e G20 e multinacionais como Accenture, Aon, BCG, Credit Suisse, Deloitte, Huawei, Lego ou Microsoft, entre outros.

Questionado sobre como vê a vida pós-covid, Matthew Griffin destaca que a maior mudança é viver num "mundo mais digital".

A maioria das empresas "acelerou os seus programas de transformação digital, acumulando até cinco anos de projetos em meros meses", diz, mas considera que haverá também "um maior foco na tele-saúde e telepsiquiatria, bem como na prestação de assistência e suporte remotos à saúde".

No mundo pós-pandemia, "também veremos as cadeias de fornecimento a tornarem-se mais resilientes e mais empresas a mudar" as suas cadeias "para longe de países 'instáveis, hostis ou desfavoráveis'", defende.

Desafiado a descrever o conceito de metaverso de uma forma simples para quem não está por dentro do tema, Griffin responde: "Simplificando, o metaverso é a fusão dos mundos físico, digital e virtual para, no final, criar uma realidade virtual que será indistinguível do mundo real".

Artigos Relacionados

No stories found.
Diário de Notícias
www.dn.pt