As notas elevadas do último aluno colocado em 2023 em alguns cursos significam que ficaram de fora muitos bons estudantes - havendo mais vagas, alguns mais teriam colocação. E não estou a referir-me aos cursos com as médias mais altas, onde se destaca Engenharia Aeroespacial, na Universidade do Minho, em que a nota mais baixa foi 188,6. Falo, por exemplo, de Direito, com 176,8 na Universidade do Porto, 168,0 em Coimbra, 176,0 na Nova de Lisboa ou 160,0 na Clássica; Economia, com 176,5 na Nova SBE e 174,0 na Universidade do Porto; Gestão com 166,8 no ISEG, 172,0 no ISCTE, 180,5 na Universidade do Porto ou 179,0 na Nova SBE; Engenharia Informática, com 174,0 na Universidade de Aveiro, 166,4 no Politécnico do Porto, 166,0 no ISCTE. E muitos mais poderia elencar nas áreas da Saúde, da Educação, da Tecnologia de Informação e mais ainda. Este é um esforço que o mercado de trabalho, quando alunos com elevada qualidade se licenciam, deveria compensar.
Ao invés disso, exportamos. Que é como quem diz, formamos em Portugal, com selo de qualidade, e não temos como evitar a emigração. É isso que nos conta nesta edição o dean da Nova SBE, que na sua universidade - como em muitas outras de excelência em Portugal - também importa alunos estrangeiros, que já são mais de metade do total, entre licenciaturas e mestrados. Importa também professores estrangeiros e já leciona a maioria das aulas em inglês. Mas depois é difícil reter nacionais e estrangeiros. O custo de vida já é tão elevado que os salários não compensam. Até para os nómadas digitais, o país está tão caro que eles próprios reconhecem: "o governo subsidia estrangeiros para virem para Portugal, mas não controla o problema da habitação".
A redução acentuada do salário médio real de entrada no mercado de trabalho de jovens com o ensino superior em 2020 face a 2006 não é propriamente novidade. Os dados lançados em março, num estudo do Banco de Portugal, revelam que o valor nos anos mais recentes de 1050 euros compara com os 1088 euros de 2006. São menos 9%. Não há dúvidas que a geração mais qualificada de sempre tem vindo a perder poder de compra ao longo dos anos. A desvalorização dos salários não acompanha a subida desenfreada dos custos da habitação, nem se compadece com os preços da alimentação - e aqui só falamos de necessidades básicas.
"Os nossos alunos não têm um problema de formação, vão trabalhar para as melhores empresas do mundo. O problema é a falta de competitividade que os próprios empresários conhecem bem", explica Pedro Oliveira. "Os impostos são uma parte do problema, não serão a única. Quanto dinheiro [as empresas em Portugal] conseguem entregar a um recém-graduado quando o Estado fica com uma boa parte dos seus proveitos?"
Chegamos ao início de mais um ano letivo com a sensação de um problema agravado nos últimos anos e sem políticas de futuro para quem inicia agora a vida académica. As notas elevadas dos alunos revelam o trabalho árduo em prol das suas escolhas, podendo, depois de formados, contribuir para melhorar a economia nacional. Mas é preciso que o País lhes dê futuro.