Smartphones recondicionados já valem 10 mil milhões e ganham adeptos em Portugal

Negócio de smartphones recondicionados ainda só vale 10% de todo o mercado de smartphones, na Europa. Já se identificam mudanças nos hábitos de consumo. Swappie diz que 75% dos portugueses pondera comprar recondicionados.
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O negócio dos smartphones recondicionados já representa 10 mil milhões de euros na Europa, sendo que Portugal é dos mercados onde o setor tem ganho terreno. Apesar do valor significativo, o negócio da comercialização de smartphones recondicionados ainda fica muito aquém do valor total do mercado de smartphones, que representa 100 mil milhões de euros no Velho Continente. Mesmo assim, há já claros sinais de uma mudança de hábitos dos consumidores de smartphones, dada a crescente preocupação com questões relacionadas com a sustentabilidade.

Os dados e a leitura são de Luísa Vasconcelos e Sousa, country manager da Swappie em Portugal, empresa que detém um marketplace de compra e venda de Iphones recondicionados. Esta empresa, criada em 2016 na Finlândia, divulgou agora um estudo que aponta que 75% dos portugueses está disposto a comprar um aparelho eletrónico recondicionado, e que 85% está consciente da alternativa que o mercado dos aparelhos recondicionados oferece face à compra de produtos novos. Contudo, apenas 17% dos consumidores portugueses já optou pela compra de um smartphone recondicionado.

A gestora reconhece ao Dinheiro Vivo que o valor do mercado de smartphones recondicionados é "ainda pouco expressivo" face ao valor total de todo o mercado de smartphones. E considera que "existe ainda um longo caminho a percorrer" na alteração dos hábitos de consumo. "Contudo, dada a crescente preocupação com as questões relacionadas com a sustentabilidade, acreditamos que [um aparelho recondicionado] poderá mesmo vir a ser a primeira opção dos consumidores portugueses num futuro próximo", afirma.

A gestora diz que já se verifica uma "mudança de perceção" por parte dos consumidores, que está relacionada, "em parte, com a preocupação de investir cada vez mais na economia circular" - uma consequência das preocupações relacionadas com a sustentabilidade e o ambiente. "No entanto, o facto de haver possibilidade de poder fazer um upgrade para um dispositivo de qualidade, mais avançado e atual e de forma mais acessível", ainda é "bastante aliciante para a grande maioria dos consumidores". Ora, há vários desafios pela frente.

"A cultura do descartável constitui um problema muito sério na sociedade atual e o lixo eletrónico continua a aumentar a olhos vistos", argumenta Luísa Vasconcelos e Sousa, apontando que o lixo eletrónico corresponderá "a cerca de 74 milhões de toneladas em todo o mundo". O consumo de equipamentos eletrónicos que possuem curtos ciclos de vida "é cada vez maior", realça. Por isso, há que estimular hábitos de consumo mais sustentáveis.

No caso dos smartphones, a gestora da Swappie explica que é "urgente" educar e consciencializar os consumidores para o impacto negativo do contínuo consumo de aparelhos novos com curtos períodos de vida. "A compra de um aparelho recondicionado é uma opção de confiança, mais acessível e sustentável", garante Luísa Vasconcelos e Sousa.

O estudo da Swappie, todavia, refere que há barreiras a superar para aprofundar mudanças nos hábitos de consumo: 64% dos consumidores portugueses revelam preocupação com a qualidade e funcionalidade dos aparelhos recondicionados, 43% receiam ser enganados e 32% demonstram apreensão no que toca à capacidade das baterias. Qual a resposta perante a desconfiança sobre telemóveis recondicionados?

Segundo Luísa Vasconcelos e Sousa, há que explicar que já existe legislação que protege o consumidor: "Os aparelhos possuem uma garantia de três anos", anota. Depois, importa esclarecer que existe uma diferença entre o mercado de equipamentos recondicionados e o conceito de "mercado em segunda mão". "O mercado em segunda mão pressupõe que o dispositivo é entregue ao consumidor exatamente no estado em que se encontra, não havendo qualquer tipo de alteração ou melhoria", explica. Já o mercado dos recondicionados "pressupõe todo um processo exaustivo e rigoroso, com recurso a alta tecnologia, para garantir que o consumidor recebe o seu dispositivo intacto, como se de um equipamento novo se tratasse".

"Os aparelhos eletrónicos recondicionados estão sujeitos a um processo de verificação e transformação bastante exaustivo e rigoroso", insiste, indicando que, atualmente, há empresas como a Swappie que têm "o controlo de toda a cadeia de valor, com fábricas próprias, profissionais especializados e recurso a alta tecnologia". Isso permite garantir que "todo o processo de recondicionamento é feito da melhor maneira possível", transmitindo "mais segurança e confiança aos consumidores".

"[No caso da Swappie] acreditamos que o facto de proporcionarmos uma política de troca ou devolução nos primeiros 14 dias após a entrega do dispositivo e uma garantia de 24 meses são também fatores decisivos", argumenta.

Para esta gestora, o importante agora é "desmistificar o mercado de equipamentos recondicionados e derrubar as barreiras geradas pelas dúvidas dos consumidores, contribuindo para a adoção de hábitos de consumo cada vez mais sustentáveis e económicos".

Quanto a preços, até quanto pode ir a poupança de um consumidor na aquisição de um telemóvel recondicionado? Tudo dependerá das condições do telemóvel, "como o estado da bateria ou a capacidade de memória, e comparativamente com os aparelhos tecnológicos novos". "Temos reduções de preço que se podem traduzir numa poupança de até 60%", sublinha.

"Temos como objetivo conseguir manter sempre os preços tão baixos quanto possível, bem como uma vasta gama de modelos em diversas condições, permitindo-nos oferecer opções acessíveis a todos", acrescenta.

O estudo da Swappie que motivou a conversa com Luísa Vasconcelos e Sousa abarcou também a realidade de outros mercados onde a Swappie está presente - Finlândia, Estónia, Irlanda, Alemanha, Itália, Holanda, Bélica, Eslováquia, Polónia, República Checa e Espanha. Foram analisados 12 mil consumidores em 12 países.

Como compara Portugal com outros países europeus? "Portugal está em terceiro lugar no que diz respeito à disposição para comprar um smartphone recondicionado, seguido da Finlândia e de Itália. Isto significa que o negócio de smartphones tem vindo a ganhar espaço no mercado português, o que quer dizer que os consumidores portugueses estão cada vez mais predispostos a apostar neste tipo de aparelhos tecnológicos", responde.

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