

A Vodafone Portugal vai cobrar até mais 5,41 euros mensais pelas ofertas de serviços agregados num único pacote, a partir de 1 de fevereiro, revela a tabela de preços da empresa para o ano de 2024, divulgada na segunda-feira.
As principais empresas de telecomunicações (Meo/Altice; NOS; e Vodafone) tinham anunciado em dezembro a subida dos preços dos serviços e tarifários em linha com a variação média anual da inflação de 2023 (4,3%). A Vodafone foi a primeira telecom a revelar as novas condições. A Meo deverá fazê-lo no dia 19 e a NOS no dia 23 de janeiro.
De acordo com a nova tabela de preços a aplicar aos clientes particulares da empresa liderada por Luís Lopes, os maiores aumentos verificam-se nas ofertas em pacote. Quanto maior for o número de serviços, e a abrangência dos mesmos, e quanto menor for o período de fidelização em vigor (ou se não existir um) maior será o agravamento da fatura no fim do mês.
Nos pacotes com pelo menos quatro serviços (televisão com número de canais a determinar; internet fixa com uma velocidade a especificar ; telefone fixo e no mínimo um cartão de telemóvel com plafond de dados móveis), cujo contrato fideliza o cliente por dois anos (24 meses), as mensalidades encarecem entre 2,60 euros e 3,60 euros. Ou seja, nestes termos, o peso das telecomunicações no orçamento das famílias agrava-se entre 31,20 euros e 43,20 euros num ano.
Para o mesma género de pacote de serviços, mas com um período de fidelização de 12 meses, os preços sobem entre 2,47 euros/mês e 4,49 euros mensais (um agravamento máximo de 53,88 euros num ano). Se a fidelização for de seis meses, a mensalidade de pelo menos quatro serviços em pacote sobe entre 2,93 euros e 4,73 euros (mais 56,76 euros num ano no máximo).
Ainda para um pacote de pelo menos quatro serviços, mas sem um período de fidelização, o aumento da mensalidades poderá chegar aos 5,41 euros mensais (64,92 euros num ano). É o caso do ‘Fibra4 Infinity Gold’, que passa dos atuais 126,27 mensais para 131,68 euros/mês a partir de fevereiro.
Para os pacotes de pelo menos três serviços (televisão; internet fixa; e telefone fixo), os aumentos das mensalidades variam entre 1,40 euros e os 2,42 euros (um agravamento máximo de 29,04 euros num ano). Para os pacotes que agregam apenas dois serviços (internet fixa e telefone fixo é a combinação padrão neste caso), a subida dos preços oscila entre um euro por mês e 1,63 euros mensais. Também neste caso, o agravamento da fatura dependerá da abrangência dos serviços contratados (número de canais de televisão disponíveis ou velocidade da internet fornecida, por exemplo) e do período de fidelização contratualizado. No setor das telecomunicações, os períodos de fidelização podem vigorar por seis meses, por doze meses ou por 24 meses, mas o cliente não é obrigado a fidelizar-se, embora os operadores cobrem mais a quem rejeita a fidelização.
A nova tabela de preços da Vodafone Portugal também revela os valores de outro tipo de serviços, que também podem influenciar o valor das mensalidades dos serviços. Por exemplo, a taxa de instalação de um serviço pós-pago, a partir de 1 de fevereiro, será de 167 euros, enquanto a taxa de ativação de um serviço fixo cifra-se em 134 euros. As duas taxas costumam ser usadas pelos operadores como argumentos dissuasores para os consumidores aceitarem os períodos de fidelização. Noutro exemplo, quem quiser receber a fatura em papel na sua residência terá de pagar mais 3,22 euros além do valor dos serviços contratados.
Anacom e Deco contestam aumentos nas telecomunicações
Os preços das telecomunicações já tinham encarecido até 7,8% em 2023, devido à escalada da inflação em 2022. Somando esse aumento à atualização de 2024, as famílias sentem os preços das telecomunicações agravarem-se até um máximo acima dos 12%.
O Dinheiro Vivo questionou a Vodafone sobre a evolução dos preços e se a empresa ponderou seguir a recomendação da Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), que tinha pedido “contenção” aos operadores nas subidas de preços em 2024, face ao “aumento do custo de vida”.
Fonte oficial da Vodafone apenas reiterou que “o valor da atualização de preços - de, no máximo, 4,3% -, a efetuar a partir de 1 de fevereiro, foi calculado tendo como referência a taxa de inflação divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística no dia 11 de janeiro, de acordo com os termos e condições previstos nos contratos”.
A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco) já acusou as três principais telecom nacionais de falta de transparência na comunicação das subidas de preços aos clientes. E a Deco Proteste sugere aos consumidores que, se confrontados com esta atualização de preços, verifiquem se no contrato em vigor consta a cláusula que refere a possibilidade da atualização anual de preços com base na inflação.
Desde 2017 que os operadores começaram a introduzir novas cláusulas contratuais, seja em novos contratos ou renegociações, prevendo atualizações anuais dos preços com base na taxa de inflação do ano anterior, excluindo a possibilidade de rescisão do contrato sem custos. Contudo, a lei enquadra situações específicas (desemprego é uma delas) em que os clientes podem rescindir contratos sem custos.
O aumento dos preços nas telecomunicações afeta essencialmente os assinantes de ofertas em pacote. Segundo a Anacom, registavam-se 4,6 milhões de subscritores de pacote de serviços no final do terceiro trimestre de 2023.