Concurso Mundial de Bruxelas chega à Arménia e pode deixar três milhões na economia

É um dos maiores concursos mundiais de vinho e este ano a sua sessão principal acontece em Erevan. Mais de 400 participantes aterram na Arménia para a semana, para três dias de competição.
Concurso Mundial de Bruxelas chega à Arménia e pode deixar três milhões na economia
Imagem gentilmente cedida pelo CMB
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O Concurso Mundial de Bruxelas (CMB) vai na sua 33º edição, mas a dimensão que atingiu tem-no levado a outros territórios – já raramente acontece na capital que lhe dá nome – e foi-se dividindo por tipos de vinho, precisamente pela dificuldade logística que já representava.

Atualmente, a competição divide-se entre as sessões de Tintos e Brancos – a mais concorrida, e a que começa já no próximo dia 21 de maio; de Rosés; de Espumantes e de Doces e Fortificados. Todas as sessões acontecem em diferentes geografias. Este ano, Arménia, França e Itália são os países anfitriões de algumas das provas que duram, em média, três dias.

Um evento desta envergadura é sempre algo muito relevante para a região que o acolhe, devido ao seu impacto económico. O investimento, dividido entre os próprios Governos dos países anfitriões e uma série de patrocinadores é, por norma, reavisto através das inscrições dos participantes – cada produtor tem de pagar para ter os seus vinhos a concurso, para além de enviar as amostrar que quer ver provadas pelos painéis de especialistas. Mas o impacto económico vai muito para além destes custos e receitas diretas.

Cálculos do DN tendo em consideração eventos anteriores, revelam que o impacto económico do CMB em Erevan poderá chegar aos três milhões de euros (1,3 mil milhões de drams, a moeda local e ao câmbio atual). Não apenas pelos gastos diretos que os participantes e a organização vão fazer durante o evento, mas também graças ao efeito multiplicador na restauração, hotelaria, transportes e serviços. No mesmo sentido, muitas vezes estes eventos atraem turistas e visitantes que gostam de interagir com os participantes, o que faz aumentar o número de visitas na região.

Participam nesta prova centenas de jurados – jornalistas, produtores, enólogos, escanções, importadores – de todas os mercados que levam vinhos à prova e, anualmente, estão inscritas milhares de referências. Todos os vinhos são avaliados em provas cegas, por mesas compostas por especialistas de vários países – por norma, cinco pessoas – e as avaliações são depois ponderadas com base em diversos critérios e é dada uma classificação final que pode representar, ou não, a atribuição de medalhas de bronze, prata, ouro e grande ouro, a cada vinho.

A única informação disponível para os jurados, quando da prova, é o tipo de vinho (branco ou tinto) e o ano a que diz respeito. Se ainda não tiver sido engarrafado, a indicação também consta da informação que acompanha a garrafa em questão. Tudo o resto, é segredo até as avaliações estarem terminadas nesse dia.

Imagem gentilmente cedida pelo CMB

A grande vantagem deste tipo de iniciativa, para os produtores, é que lhes permite perceber se estão alinhados com a média da qualidade internacional; para quem importa e exporta vinho, é um momento para fazer contactos e abrir novos mercados, tendo em conta aquilo que são as tendências atuais.

Na atual conjuntura, a presença do CMB na Arménia reveste-se ainda de mais significativa importância, tendo em conta que a região tem sido fortemente afetada pelo conflito iniciado pelos EUA em fevereiro. A proximidade com o Irão e a já lendária luta com o Azerbeijão fazem da Arménia um destino, por vezes, pouco óbvio para os turistas. Eventos desta envergadura reforçam a confiança dos viajantes, e obrigam a um esforço redobrado das autoridades para assegurar segurança e fluidez no país.

O impacto a médio e longo prazo é também medido, através da repercussão internacional que, por norma, garante uma presença na memória de cada mercado durante mais tempo.

No mesmo sentido, durante os dias em que participam no evento, todos os jurados são convidados a visitar os produtores da região, por forma a conhecerem os vinhos que por ali são feitos, e que muitas vezes não têm expressão fora de portas. Isto reflete-se, não raras vezes, em novos negócios e parcerias internacionais que potenciam os produtos nacionais.

Naturalmente, estes efeitos financeiros não se resumem apenas ao país anfitrião e aos vinhos dessa região. Na verdade, dados da American Association of Wine Economists revelam que os vinhos que ganham medalhas em concursos internacionais aumentam o preço em média 13% e registam maior procura, o que é particularmente relevante para marcas menos conhecidas que têm mais dificuldade a trabalhar a confiança dos consumidores.

Contas feitas e, apesar de o CMB ter um custo estimado a rondar os 2 milhões de euros, parece ser certo que a Arménia e vários setores da sua economia vão conseguir um encaixe financeiro confortável com a presença de especialistas de todo o mundo naquele país.

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