

O anúncio foi feito este sábado, 23 de maio, em Yerevan, na Arménia: o Douro recebe, pela primeira vez, o Concurso Mundial de Bruxelas (CMB), para duas sessões, em maio de 2027. Uma dedicada aos vinhos tintos e brancos, e outra aos vinhos doces e fortificados. A informação, que o Dinheiro Vivo já tinha avançado no ano passado, foi oficializada pela organização do evento no encerramento da sessão de Tintos e Brancos de 2026, que decorreu esta semana, na Arménia.
O CMB 2027 está a ser organizado em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), que agrega 19 municípios da região. Durante três dias, o Douro vai receber centenas de especialistas internacionais para provar e classificar os milhares de vinhos que, por norma, se inscrevem na competição.
“Depois de termos dado destaque às vinhas emergentes do “planeta” vinho, regressamos à Europa, para um dos terroirs históricos e mais emblemáticos do mundo, o berço do ilustre Vinho do Porto”, sublinha Quentin Havaux, CEO do CMB. Recorde-se que em 2024 a sessão principal desta competição aconteceu no México, na região de Guanajuato, e em 2025 rumou à China, à região de Yunchuan.
A deste ano aconteceu entre os dias 21 e 23 de maio em Yerevan, na Arménia. Territórios novos na produção e internacionalização de vinhos, e que o CMB ajudou a dar a conhecer ao longos dos últimos anos.
O Douro é, assim, uma espécie de regresso aos clássicos, num movimento que, justifica a organização, pretende reconhecer “a singularidade de um território onde o vinho, a paisagem, a história e a comunidade formam uma identidade rara, autêntica e profundamente ligada à cultura europeia do vinho”.
João Gonçalves, Presidente da CIM Douro salienta que “esta escolha distingue não apenas a excelência dos vinhos do Douro, mas também a história, a autenticidade e a capacidade de acolhimento de uma região única, onde a vinha, a paisagem e a identidade caminham lado a lado há séculos”. Em comunicado, o responsável admite que “receber o Concours Mondial de Bruxelles é uma oportunidade extraordinária para projetar o Douro junto de decisores, especialistas, compradores, jornalistas e líderes de opinião de todo o mundo. Queremos que quem venha ao Douro descubra muito mais do que uma região vinícola: descubra um território vivo, acolhedor, inovador e preparado para construir futuro”.
História, vinho e futuro
Apesar de o CMB já ter passado por Lisboa (2006) e Guimarães (2012), nunca tinha estado naquela que é a reconhecidamente mais antiga região vinícola demarcada e regulamentada do mundo. Em 1756, e graças à produção e exportação do Vinho do Porto, a Coroa Portuguesa estabeleceu regras, limites e mecanismos de controlo destinados a proteger a autenticidade e a qualidade dos vinhos durienses, constituindo um marco pioneiro na história vitivinícola mundial.
Em 2001, o Alto Douro Vinhateiro foi classificado como Património Mundial da UNESCO, o que lhe garante um compromisso não apenas com a sua História mas também com o futuro da região e da atividade vitivinícola. Atualmente, 43 mil dos 250 mil hectares que compõem o Douro correspondem a vinha plantada. O setor dos vinhos é, desde há décadas, o principal motor económico do Douro, sendo atualmente responsável por mais de 1,5 milhões de hectolitros de produção anual e pela maior parte das exportações vitivinícolas nacionais, segundo dados revelados publicados recentemente em Diário da República.
No entanto, a região atravessa uma crise significativa, com a procura a diminuir enquanto a oferta se mantém constante – sobretudo em algumas categorias específicas de vinho. Assim, acolher um evento da envergadura do CMB 2027 pode revelar-se particularmente importante para a região. O Concurso integra nos seus painéis de jurados provadores, produtores, compradores, escanções e jornalistas internacionais, o que significa que durante vários dias a região vai estar no centro da atenção de muitos mercados relevantes para o setor.
A notícia de que o Douro seria a região anfitriã da próxima sessão de Tintos e Brancos de 2027 foi acolhida com alegria pelos jurados presentes em Yerevan, por estes dias, que foram posteriormente convidados a degustar um almoço tradicional português, oferecido pela organização do evento, e com direito a Vinho do Porto a fechar.
Na Arménia, onde a sessão de Tintos e Brancos 2026 terminou este sábado, estiveram a concurso mais de 6 mil vinhos, que foram avaliados por um painel de 320 jurados – os resultados serão conhecidos no dia 10 de junho.
O Concurso Mundial de Bruxelas é organizado pela Vinopres, uma consultora especializada com base na capital belga, e existe desde 1994. Já há muitos anos, no entanto, que saiu da cidade que lhe dá nome e começou a realizar-se noutros países por forma a promover a diversidade e o conhecimento de nações e regiões produtoras.
*A jornalista viajou para Yerevan a convite do Concurso Mundial de Bruxelas