

A lista de desafios nas infraestruturas aeroportuárias do país é extensa e há preocupações que, para o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), podem comprometer, ainda mais, a atividade turística já no próximo verão.
É o caso do novo sistema europeu de controlo automatizado de fronteiras externas, o Entry/Exit System (EES), para passageiros extracomunitários e que provocou longas filas aquando da sua implementação em outubro do ano passado. As entradas e saídas passaram a ser registadas por via eletrónica em substituição do antigo sistema de carimbo de passaportes.
O Governo suspendeu entretanto o mecanismo até ao final do próximo mês na sequência dos constrangimentos registados e o fim desta moratória é motivo de alerta para Bernardo Trindade.
”Sabemos do esforço que o governo tem feito para ajudar com a mobilização de agentes da GNR a juntar ao quadro permanente de agentes nos aeroportos. Sabemos do esforço que a ANA tem feito para arranjar espaço para mais boxes, mas o desafio é gigante. Temos agora um novo concessionário de handling nos aeroportos do continente. Tantas questões em aberto, nomeadamente questões sindicais e o prazo para a substituição está previsto para maio”, enumerou esta quarta-feira, 11, durante a sua intervenção na sessão de abertura do 35º Congresso da AHP que decorre no Porto.
A soma dos desafios faz antecipar mais um verão caótico na Portela. “Estou mesmo preocupado com a época alta. São muitos remendos sob as mesmas infraestruturas”, desabafou. O presidente da AHP sublinhou a necessidade de serem encontradas respostas alertando ainda para a necessidade de estudar a carga sobre as cidades.
“Somos adeptos da economia de mercado, agora quando tenho a procura é constrangida pelo aeroporto, mais hotéis em zonas densamente povoadas, significa ter as mesmas pessoas distribuídos por mais hotéis. Dissemos isso em Lisboa onde, com o aeroporto saturado, segundo as consultoras teremos mais 45 hotéis até 2028, dizemos isso no Porto, onde até 2028 teremos mais de 35 novos hotéis. Os 17 milhões de passageiros no Francisco Sá Carneiro não representando saturação, exige que se olhe para a atual infraestrutura", alertou.
Olhando para as companhias aéreas, o representante dos hoteleiros lamentou a saída da Ryanair dos Açores, defendendo que o fim da operação da low cost na região "traz preocupações". "A indefinição do futuro da SATA é um outro problema sério. Os Açores arriscam-se a ser um destino turístico de verão. Ora, nenhum empresário paga despesa, entre salários e funcionamento, seis meses por ano", constatou.
Já à TAP deixou elogios pelos novos investimentos anunciados no Porto, "uma reivindicação velha", diz. "Esta nova centralidade em Portugal é decisiva. Para a TAP, para o turismo e para Portugal. Estamos de acordo com o Governo na manutenção dos 50,1% do capital da TAP na esfera de Portugal. Trazemos capital novo, mas mantemos a centralidade em Portugal", referiu.
"Ainda anteontem estivemos reunidos com um dos três concorrentes à privatização da TAP, e é impressionante perceber o interesse estratégico e o potencial que percebem na TAP. A questão da percentagem de capital [a comprar] não é um problema. Ainda bem, nem para eles nem para nós Portugal", garantiu ainda.