Pacote para habitação não travou aumento de 18% no preço das casas

Governo apostou em 30 medidas para atacar a crise na habitação com mais oferta e acesso mais fácil, mas inflação imobiliária continua alta e é uma das principais queixas dos portugueses.
Pacote para habitação não travou aumento de 18% no preço das casas
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Aumentar a oferta de habitação e facilitar o acesso por via de apoios diretos ou incentivos fiscais foram os objetivos assumidos pelo governo da AD quando apresentou a sua estratégia “Construir Portugal”, em maio de 2024. Quase dois anos depois, as medidas ainda não foram capazes de suster o aumento contínuo do preço das casas, que escalou quase 18% no terceiro trimestre de 2025 em termos homólogos. O preço médio do metro quadrado a nível nacional fixou-se nos 3 mil euros, sendo que em Lisboa ascende a 4500 euros, sendo um dos principais motivos de insatisfação dos portugueses.

A bater repetidamente recordes, a inflação imobiliária tem sido o efeito combinado do défice de nova construção e imóveis disponíveis, aumento muito rápido e constante da procura _ por via do turismo, imigração, nómadas digitais, vistos gold _ e falta de fogos no mercado a preços controlados.

Para acudir ao problema da falta de oferta, o Governo quer apostar na aceleração do PRR para a construção de 25.000 casas. E também na, há muito prometida, disponibilização de edififícios públicos para habitação a custos acessíveis . Outra alteração neste sentido está na revisão da Lei dos Solos, que permite que solos rústicos possam ser usados para habitação sustentável, como arrendamento acessível ou habitação de custos controlados.

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Mais disruptivas são as medidas de apoio à compra de casa de jovens e da classe média.Em causa, neste capítuilo estão a isenção de IMT e Imposto de Selo para jovens até aos 35 anos na compra de primeira habitação, para imóveis até 316.000 euros (4º escalão). Os jovens têm uma garantia pública para viabilizar o financiamento bancário a 100%. A medida considerada inovadora a nível europeu mereceu críticas por parte dos partidos da Oposição, por poder incentivar a inflação dos preços e por beneficiar segmentos com rendimentos mais altos.

Quanto ao investimento estrangeiro, o Governo defendeu um reajuste e ‘medidas de arrefecimento’ do mercado em que, por um lado, penaliza os não residentes, mas, por outro, facilita o seu investimento para arrendamento acessível. Assim, aumentou o IMT, com uma taxa fixa de 7,5% para não residentes para tentar travar a procura especulativa, mas quem se torne residente fiscal dentro de dois anos pode ficar isento ou ser reembolsado, desde que afete o imóvel ao arrendamento a preços moderados.

No plano do arrendamento, o Governo de Luís Montenegro tomou várias medidas em rutura com as do executivo socialista: revogou o arrendamento forçado de casas devolutas; reduziu IVA da construção para 6%; apoiou senhorios com descida da taxa de IRS sobre rendimentos prediais para 10% (em vez dos anteriores 25%) para quem arrendar a preços moderados. E fixou a ‘renda moderada’ num valor até 2300 euros mensais,um valor que surpreendeu por ser bastante acima do que a classe média pode, em regra, pagar. Implementou ainda a isenção de adicional ao IMI para imóveis destinados ao arrendamento acessível/moderado. E revogou as restrições ao licenciamento de alojamento local.

Ja este mês de março, o Governo anunciou também medidas para facilitar a colocação no mercado de imóveis em processo de herança indivisa, que abrangerá cerca de 700 mil imóveis, segundo as contas do Executivo.

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