Investimento em imobiliário comercial cresce 14% em 2025 e atinge 2,75 mil milhões

As rendas para habitação subiram 10% em Lisboa e 13% no Porto. Em 2026, devem voltar a aumentar, de acordo com um estudo, ao passo que imobiliário comercial pode alcançar três mil milhões em euros.
Investimento em imobiliário comercial cresce 14% em 2025 e atinge 2,75 mil milhões
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A procura por imobiliário comercial cresceu 14% e atingiu os 2,75 mil milhões de euros em 2025, quando foram registadas 89 transações. Em simultâneo, Portugal liderou nas vendas a retalho, à escala europeia.

Os dados fazem parte das conclusões da edição mais recente do WMarket Review, um estudo realizado pela WORX Real Estate Consultants, uma consultora focada no mercado português de imobiliário comercial.

Não só houve uma tendência para crescimento em 2025, como se deverá manter em 2026, nomeadamente no imobiliário comercial (exclui imóveis residenciais). “O investimento em imobiliário comercial poderá regressar à casa dos três mil milhões de euros em 2026, caso se mantenham as condições de estabilidade e confiança”, esclarece o CEO da WORX, Pedro Rutkowski. 

Em termos de habitação, os números indicam desempenhos positivos nas Áreas Metropolitas de Lisboa e Porto. Em causa estão os 9.310 apartamentos vendidos em Lisboa, a um valor médio de 5.200 euros por metro quadrado, mais 10% do que em 2024. No Porto, venderam-se 5.460, com o valor médio nos 3.810 euros por metro quadrado, o que significa um acréscimo homólogo de 13%.

Em 2026, os preços deverão continuar a subir. Em simultâneo, as medidas destinadas ao setor "poderão criar condições favoráveis ao desenvolvimento do mercado de arrendamento institucional de larga escala", pode ler-se entre as conclusões do estudo.

Imobiliário comercial em forte alta

Saímos do setor residencial para olharmos ao imobiliário comercial, que inclui, lojas, centros comerciais, hotéis e outros. Inclui também os escritórios, cuja área absorvida atingiu 204.200 metros quadrados, menos 8% do que em 2024. A renda prime na Grande Lisboa foi de 30 euros por metro quadrado por mês e a trajetória de valorização foi particularmente significativa nos edifícios com certificações de sustentabilidade e características premium. Aquela entidade estima que o valor suba até aos 35 euros por metro quadrado por mês.

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No âmbito do retalho, Portugal registou "o maior aumento de vendas em retalho da Europa". O índice médio de vendas subiu 5% em termos homólogos, até aos 115,3 pontos. Em simultâneo, registou-se a entrada de novas insígnias e formatos emergentes no mercado físico, pelo que as rendas prime ultrapassaram os valores anteriores à pandemia. Estas atingiram 145 euros por metro quadrado por mês no comércio de rua de Lisboa, 115 euros nos centros comerciais e 13 euros nos retail parks.

O estudo aponta ainda para a "escassez de espaços de qualidade e resiliência da procura", que resultam na subida dos preços.

No caso do setor industrial e logístico, a procura caiu 39%, com 485 metros quadrados de área absorvida. Na base está o contexto de incerteza económica e geopolítica, que levou as rendas para 5,65 euros por mês por metro quadrado no eixo prime Castanheira–Azambuja e sete euros em Lisboa.

Depois de uma ano "particularmente forte" em 2024, o ano passado trouxe cortes significativos. Em 2026, de acordo com as conclusões do estudo, a procura deve registar níveis similares à média dos últimos anos, impulsionada sobretudo por "processos de nearshoring, reshoring e investimentos associados ao setor da defesa", acrescenta-se.

A hotelaria registou um crescimento de 2% nas dormidas em alojamentos turísticos, até aos 82,1 milhões de euros. As receitas aumentaram 7% e a performance operacional melhorou 4%, o que se traduz em 7.150 milhões de euros em proveitos e num RevPAR médio de 72,4 euros. 

A tendência continua a dar sinais positivos, a beneficiar da procura externa, ainda que se estime que o contexto macroeconómico dificulte ganhos expressivos em 2026.

No que diz respeito às tendências macro, o WMarket Review aponta para o crescimento do investimento em tecnologia e Inteligência Artificial, ao mesmo tempo que a experiência providenciada "assume um papel cada vez mais central na criação de valor". A versatilidade e flexibilidade dos espaços continuam a ser fatores decisivos, acrescenta-se.

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