Mais de 60% das casas no Porto são compradas em planta ou início de obra

Falta de oferta e interesse das famílias e investidores têm impulsionado aquisições de imóveis em fase de projeto. Antecipação na compra está também assente num potencial de valorização do ativo.
Em dez anos, o preço médio por metro quadrado no Porto passou  de 1000 euros para cerca de 3000 euros, diz a Quintela+Penalva.
Em dez anos, o preço médio por metro quadrado no Porto passou de 1000 euros para cerca de 3000 euros, diz a Quintela+Penalva. Reinaldo Rodrigues
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Entre 60 a 65% das casas vendidas no Porto pela Quintela+Penalva | Knight Frank estão ainda em planta ou início de obra, revela Francisco Quintela, sócio fundador da mediadora imobiliária especializada em imóveis premium. No total do mercado da Invicta, os dados do setor apontam para que cerca de 40% a 60% das unidades sejam comercializadas em fase de projeto ou de construção.

Este movimento “reflete a combinação entre procura elevada, escassez de oferta qualificada e a necessidade dos promotores assegurarem níveis mínimos de pré-venda para avançar com a construção”, justifica. Mas também o peso dos investidores, que compram os imóveis por um valor por metro quadrado que permite uma futura valorização do ativo. Segundo Francisco Quintela, estas transações antecipadas são muito comuns nos segmentos residenciais mainstream e médio-alto. Já no premium, os processos tendem a ser mais seletivos e faseados e, por consequência, as vendas mais demoradas.

A maioria das aquisições - entre 55 a 65% - são protagonizadas por famílias, nomeadamente jovens, para habitação própria e permanente. Estes compradores optam por imóveis de gama média, em zonas menos centrais e mais acessíveis. Há também a destacar que 35% a 45% dos negócios “têm um racional de investimento, seja para arrendamento de longo prazo, seja para valorização patrimonial”, diz. Estes compradores apostam em tipologias T0 e T1, ainda com os projetos em planta, e em localizações que garantam maior liquidez ou procura internacional.

Como frisa, em média, os empreendimentos residenciais novos estão “no mercado entre dois e seis meses, podendo registar vendas ainda mais rápidas nas tipologias mais procuradas (T1 e T2) e em zonas com boa relação preço/localização”. Nos segmentos médio e médio-alto, a liquidez continua elevada, promovendo uma procura efetiva de habitação própria e investimento, considera. Já no premium, reforça, os tempos de venda são mais longos e seletivos, “não por falta de procura, mas porque o processo de decisão é mais exigente e personalizado, podendo estender-se para além dos nove meses”.

Esta procura dinamizada por famílias e investidores tem contribuído “para a absorção rápida da nova oferta e para a manutenção de preços elevados em vários segmentos do mercado”, frisa Francisco Quintela. Na última década, o preço médio por metro quadrado (m2) no Porto passou de cerca de 1000 euros para valores próximos de 3000 euros. Há também casas à venda por 10 000 euros/m2. Na opinião do fundador da Quintela e Penalva, estes valores devem-se a uma “pressão acrescida da procura, nacional e internacional”, que esbarra com uma “oferta estruturalmente limitada, com fraca produção nova e constrangimentos urbanísticos, aumento sustentado dos custos de construção e reabilitação e conversão de stock residencial para usos turísticos”.

Segundo Francisco Quintela, os portugueses são os principais compradores de imóveis residenciais no Porto, seja para viver, seja como investimento. Os brasileiros, angolanos, franceses e norte-americanos são os investidores estrangeiros mais dinâmicos na região, o que tem contribuído para “a liquidez e valorização de segmentos específicos do mercado imobiliário portuense”, aponta. Recentemente, verificou-se um movimento aquisitivo de turcos. Hoje, o Porto regista uma elevada procura de famílias, investidores privados, estrangeiros e, de forma crescente, investidores profissionais, adianta.

“Trata-se de uma cidade histórica, compacta e com identidade urbana forte, onde a escassez estrutural de solo e a limitação da oferta criam uma base sólida para a valorização a médio e longo prazo”, justifica Francisco Quintela. E essa atratividade é reforçada pela qualidade arquitetónica, a relação com o rio e o mar e a forte vocação turística. Fatores que se aliam a uma qualidade de vida com custos ainda competitivos, boas infraestruturas, universidades de referência, serviços de saúde, segurança e uma crescente comunidade internacional, elenca também.

A Quintela+Penalva, que marca presença em Lisboa, Estoril e Porto, tem um especial foco em clientes de elevado património líquido, segmento que é potenciado pela parceria com a Knight Frank, consultora imobiliária com sede em Londres e uma das mais antigas do mundo. No Porto, a empresa tem atualmente uma carteira de cerca de 400 imóveis, a que soma outros 100 fora do concelho, sendo que alguns, pela sua especificidade, estão fora do mercado tradicional.

No ano passado, a mediadora concluiu mais de 400 negócios, com 33% das transações realizadas em parceria. O Porto valeu 20% das transações. No segmento premium, concretizou 40 vendas acima de um milhão de euros, o que confirma “a especialização da nossa empresa em ativos de elevado valor”, frisa Francisco Quintela. E sublinha: “a Quintela+Penalva| Knight Frank encerrou 2025 “com resultados excepcionais”.

Os portugueses foram os principais clientes. Entre os internacionais, destacaram-se os brasileiros, norte-americanos, britânicos e investidores de países nórdicos. As localizações mais procuradas refletem a distribuição geográfica dos escritórios da empresa, mas a Quintela+Penalva também registou “uma procura muito elevada e um elevado nível de sucesso nas vendas na Comporta e Alentejo”.

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