No Dubai, estão a oferecer carros de luxo na compra de imóveis de 350 mil euros

Guerra no Médio Oriente está a afetar os negócios do imobiliário e turismo. Mas não esmoreceu o apetite dos empresários portugueses pela região, diz presidente do Portuguese Business Council no Dubai.
Há muitas pessoas a abandonar o Dubai para fugir à guerra.
Há muitas pessoas a abandonar o Dubai para fugir à guerra.Foto: D.R.
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A Damac, uma das maiores promotoras imobiliárias dos Emirados Árabes Unidos e do Médio Oriente, está a oferecer carros de luxo como incentivo à compra de imóveis residenciais no território. A empresa atribui um Nissan Pathfinder na aquisição de casas a partir dos 350 mil euros, um Nissan Patrol SE Platinum City para unidades com preços acima de 700 mil euros e um Nissan Patrol Nismo em residências com um custo de 1,2 milhões de euros. Esta campanha surge numa altura em que se verifica a saída de muitos cidadãos da região com receios da guerra que opõe Israel e os EUA ao Irão. Os setores do turismo e imobiliário são os mais afetados pelo conflito, disse ao DN Paulo Paiva dos Santos, presidente do Portuguese Business Council no Dubai.

Segundo Paulo Paiva dos Santos, há pessoas "a vender os imóveis com algum desconto", porque querem sair da região. A Damac "está a oferecer um Nissan Patrol a quem comprar casa. É público, está no Instagram", diz. Na sua opinião, o mercado imobiliário dos Emirados é atualmente uma oportunidade. "As próprias promotoras estão a dar melhores condições e há gente a comprar", numa demonstração de confiança no futuro. Paiva dos Santos sublinha que os Emirados "transmitem uma confiança brutal aos seus cidadãos, aos seus residentes e à comunidade. Fazem-nos sentir seguros. Não tenho a mínima dúvida".

A realidade é que se instalou um ambiente belicoso em toda aquela região e os turistas desapareceram. "Ninguém vai fazer turismo para um sítio onde chova muito. Se chover na Costa da Caparica, eu não vou para a Costa, não é?", justifica Paulo Paiva dos Santos. E esta contração repentina da atividade turística está a sentir-se nos restaurantes. Segundo adianta, "obviamente que está a haver despedimentos ou redução de equipas na área da restauração. Estavam obrigados a ter um número cinco vezes maior". O empresário, que tem negócios na área da saúde e no setor alimentar no Dubai, aguarda que a normalidade seja retomada "de forma rápida". Como diz, "espero, e tenho muita fé, que isto se resolva rapidamente".

Paulo Paiva dos Santos, presidente do Portuguese Business Council no Dubai.
Paulo Paiva dos Santos, presidente do Portuguese Business Council no Dubai.Foto: D.R.

Paulo Paiva dos Santos, que tem no seu currículo a fundação da Generis, que hoje pertence ao grupo indiano Aurobindo, e uma candidatura à presidência do Sporting Clube de Portugal, recusa-se a comentar a atual situação geopolítica. Como frisa, "eu faço diplomacia económica". É essa a função que assumiu em janeiro quando foi nomeado presidente do Portuguese Business Council no Dubai, organização sem fins lucrativos dedicada a reforçar laços comerciais, de investimento e culturais entre Portugal e o Emirado, criada há 16 anos pelo Dubai Chamber.

Para o empresário, o Dubai continua a ser uma terra de oportunidades. Mesmo com todos os conflitos que grassam na região do Golfo, "eu continuo a sentir confiança das empresas portuguesas" no território. Como sublinha, "a forma como o assunto está a ser tratado pelo governo dos Emirados transmite muita confiança e os empresários continuam a acreditar. Nós temos, diariamente, pedidos de colaboração para estabelecer empresas nos Emirados".

Segundo avança, são intenções de investimento em áreas como a inteligência artificial, a farmacêutica, o retalho e o setor portuário. Os mísseis e drones que têm atacado o território não parecem estar a destruir os negócios. Como faz questão de frisar, "eu tenho duas empresas no Dubai e, o que posso dizer, é que estou a mandar Ramirez para lá, Lacto Serra, café Pingado, Mondega. Estou a mandar os meus produtos, os aviões estão a voar, os produtos estão a chegar à alfândega, a ser desalfandegados, a ir para o armazém, a ser distribuídos".

Na sua opinião, Portugal "é uma marca que começa a ser cada vez mais interessante e mais sexy" na região, notoriedade para a qual contribuiu "o nosso amigo Cristiano Ronaldo". No Dubai, já vivem cerca de 12 mil portugueses e há mais de 100 empresas de capital nacional, em atividades como o imobiliário, arquitetura, design, comércio, marketing digital, entre outras, enumera. A função do Portuguese Business Council no Dubai é apoiar os empresários e profissionais portugueses que querem entrar neste território, facilitando a ligação às instituições públicas e privadas, o acesso ao mercado, parcerias e a colaboração bilateral.

Para 8 de abril está agendado um webinar sobre oportunidades de negócio no Dubai. "Abrimos ontem as inscrições e já temos 50 inscritos. Não estávamos à espera que chegasse já a um número destes. Acredito que vamos chegar às 100 participações". Como frisa, "nós continuamos a ter indicadores bastante positivos sobre o interesse dos empresários" na região.

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