Preços das casas disparam 17,8% num ano. Procura diminui até março

Os valores investidos na compra e venda de imóveis subiram 3,8% face ao trimestre anterior e 17,8% em termos homólogos. Por outro lado, o número de transações caiu 8,7% em ambos os casos. Porquê?
Preços das casas disparam 17,8% num ano. Procura diminui até março
Foto: José Mota
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Os preços da habitação continuam a subir em flecha, ainda que a procura tenha diminuído, no primeiro trimestre.

De acordo com os dados do INE, o Índice de Preços da Habitação (IPHab) subiu 3,8% nos primeiros três meses do ano (abaixo dos 4,0% registados no período anterior), face ao quarto e último trimestre de 2025. Os preços dos alojamentos existentes subiram 4,2%, ao passo que na habitação nova houve um acréscimo de 2,7%.

Face ao primeiro trimestre do ano passado, a subida dos preços é ainda mais agressiva. É que, em termos homólogos, registou-se um incremento de 17,8%. Também aqui, o aumento dos preços foi mais expressivo nos alojamentos existentes (19,7%) do que nos novos (12,6 %).

Procura cai no período em análise

Entre janeiro e março de 2026, foram transacionadas 37.745 habitações. Em causa estão baixas de 12,4% face ao trimestre anterior e de 8,7% face ao mesmo período do ano passado. A tendência de redução da procura foi transversal à compra de alojamentos novos e aos que já haviam sido construídos, tanto em cadeia como face ao primeiro trimestre de 2025.

Destas, 30,3 mil (80,4%) dizem respeito a habitações já existentes (descidas de 8% em termos homólogos e 11,9% em termos mensais). Em simultâneo, as restantes 7,4 mil eram novas (menos 11,6% do que no quarto trimestre e menos 14,3% do que um ano antes)

Crédito a disparar em função da subida nos preços

Entre as transações registadas no primeiro trimestre, o valor total ascendeu a 9,9 mil milhões de euros, o que significa que se situou 3,2% acima dos registos do primeiro trimestre de 2025. A subida deve-se ao incremento de 6,9% no valor das transações de habitações existentes.

No caso da habitação nova, os dados indicam uma redução homóloga de 6,8% nos valores envolvidos em transações, para um total de 2,4 mil milhões de euros.

Por comparação com o quarto trimestre de 2025, verifica-se um corte de 7,9% (aumento de 2,6% no período anterior). Em causa estiveram reduções de 11,2% em alojamento novo e 6,8% nos que já existiam.

Olhando ao domicílio fiscal de quem compra, aqueles que estão registados em território nacional foram menos 8,4% do que no trimestre homólogo. Compraram quase 36 mil habitações (mais de 41 mil três meses antes), pelo que representam 95,3% do total. Em contrapartida, o valor associado aumentou 3,4%, ao atingir 9,1 milhões de euros.

Entre quem tem domicílio fiscal no estrangeiro, as quedas foram mais acentuadas, na ordem de 15,6%, em função de um total de 1.770 vendas. Em causa estão reduções de 16,8% entre compradores domiciliados em países da UE e 14,4% nos restantes países.

Em simultâneo, as famílias compraram 32,8 mil habitações, o que representa um peso de 87% na procura total. O valor

acumulado alcançou 8,6 milhões de euros (86,4% do total). Por outro lado, os restantes setores institucionais compraram 4,9 mil alojamentos.

Olhando agora exclusivamente às variações homólogas, os aumentos nos valores envolvidos (apesar da redução no número de casas vendidas), foi necessário um aumento agressivo no crédito à habitação concedido pela banca.

Como noticiou o DN, o valor médio envolvido disparou mais de 21% em 2025, ao passo que o valor médio das hipotecas alcançou 175 mil euros, pelo que falamos de novos recordes. Os dados foram divulgados pelo Banco de Portugal (BdP), no Relatório de Acompanhamento dos Mercados de Crédito, conhecido na segunda-feira (22 de junho).

De 2024 para 2025, "o número de contratos celebrados apresentou um aumento de 11,5% e o montante de crédito concedido aumentou 34,9%, tendo registado aumentos homólogos em todos os trimestres de 2025, contudo, sucessivamente menos expressivos", pode ler-se. Também aqui fica notório o aumento dos valores envolvidos, que contrasta com uma diminuição no número de transações.

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