Ryanair regista subida de 40% nos lucros para 2,3 mil milhões

A transportadora atribuiu a melhoria dos resultados no exercício fiscal 2025-2026 à redução de custos e ao incremento das receitas, suportado pelo crescimento do tráfego e pela subida das tarifas.
O presidente executivo do grupo Ryanair, Michael O’Leary.
O presidente executivo do grupo Ryanair, Michael O’Leary. FOTO: Rita Chantre / Global Imagens
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A Ryanair anunciou que os lucros aumentaram 40% para 2,3 mil milhões de euros no exercício fiscal encerrado a 31 de março.

A transportadora, com sede em Dublin, atribuiu a melhoria dos resultados à redução de custos e ao incremento das receitas, suportado pelo crescimento do tráfego e pela subida das tarifas.

Nos 12 meses até abril, a companhia registou receitas de 15,5 mil milhões de euros, mais 11% face ao período anterior, e transportou 208,4 mil milhões de passageiros, um acréscimo de 4%.

A empresa comunicou que a taxa média de ocupação das suas aeronaves permaneceu em 94% no período reportado.

Os custos operacionais, excluindo itens extraordinários, aumentaram 6%, totalizando 13,1 mil milhões de euros, enquanto o lucro antes desses itens foi de 2,3 mil milhões, um crescimento de 40% face ao ano anterior.

A companhia refere que a oferta de bilhetes encareceu 10%, revertendo a queda de 7% verificada no exercício precedente.

As receitas auxiliares cresceram 6%, para cinco mil milhões de euros, equivalendo a 24 euros por passageiro.

No plano de gestão do risco de combustível, a transportadora mantém uma estratégia de cobertura que protege cerca de 80% da sua matriz de preços até abril de 2027, com um preço de referência de 67 dólares por barril, face à volatilidade do mercado petrolífero.

A gestão da Ryanair sublinha riscos geopolíticos persistentes, nomeadamente o conflito no Médio Oriente e o impacto potencial de um eventual bloqueio do Estreito de Ormuz, mas garante que a Europa continua bem abastecida de combustível de aviação, com fornecimentos significativos provenientes da África Ocidental, das Américas e da Noruega.

No plano regulatório, a Ryanair constituiu uma provisão de 85 milhões de euros relacionada com uma multa histórica em Itália, anunciada em dezembro de 2025, no âmbito de alegada obstrução a agências de viagem, somando ainda uma outra provisão de 256 milhões ligada ao mesmo processo.

Em paralelo, a administração confirmou negociações para estender o contrato do CEO Michael O’Leary até abril de 2032, prevendo‑se opções de ações condicionadas a metas de desempenho que poderão ascender a até dez milhões de ações.

Preços das tarifas aliviaram nas últimas semanas, mas devem aumentar no verão

A incerteza que se tem abatido na indústria da aviação devido à guerra no Médio Oriente pressionaram os preços dos bilhetes da companhia low cost que assume que as tarifas desceram recentemente, numa inversão do cenário registado nas primeiras semanas do conflito.

"Os preços das tarifas aliviaram ligeiramente nas últimas semanas em resposta à incerteza económica causada pelos preços elevados do petróleo, receios de escassez de combustível e risco da inflação afetar negativamente o consumo", explicou o CEO.

A companhia aérea esperava inicialmente um ligeiro aumento dos preços para este verão, mas justifica que a incerteza e a "visibilidade limitada" para o segundo trimestre deverão contribuir para manter "as tarifas estáveis".

Apesar de a procura para os meses de época alta estar "robusta", os passageiros estão a efetuar as reservas mais perto das datas de viagem o que tem reduzido a margem de previsibilidade da transportadora irlandesa.

Embora tenha 80% das necessidades de combustível cobertas, a companhia sublinha que o preço da restante fatia de 20% disparou devido à guerra no Irão, antecipando um aumento dos custos operacionais com esta rubrica "caso os preços se mantenham nos níveis atuais".

Desta forma, o líder da irlandesa deixa um alerta aos clientes e aconselha a que os voos sejam reservados com antecedência para contornar um eventual aumento das tarifas.

"Acreditamos que os preços do combustível permanecerão elevados no curto prazo e, por isso, encorajamos todos os passageiros que estejam a pensar viajar este verão a reservar cedo e rapidamente, porque pensamos que os preços vão subir ao longo do verão", afiançou O'Leary durante a conference call com investidores para a apresentação de resultados.

O agravamento dos conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia, os riscos de escassez de combustível, os preços elevados do jet fuel aliados aos choques macroeconómicos e a "greves ou má gestão do controlo aéreo europeu" não permitem, para já, à companhia traçar uma perspetiva de resultados para o ano fiscal de 2027.

"O resultado final dependerá totalmente das reservas de última hora e tarifas no pico do verão de 2026. Sem visibilidade para o segundo semestre e com forte volatilidade nos preços e abastecimento de combustível, é demasiado cedo para fornecer orientações significativas sobre os lucros do ano fiscal de 2027", acrescenta.

O presidente executivo do grupo Ryanair, Michael O’Leary.
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