Lisboa acolhe, entre 11 e 17 de outubro, o ASI Contest Best Sommelier of the World 2026, a mais importante competição mundial de sommellerie, organizada pela Association de la Sommellerie Internationale (ASI) e pela Associação dos Escanções de Portugal. O evento deverá reunir delegações de 72 países e mais de 3 500 profissionais do sector do vinho, hotelaria e restauração.
A realização da competição em Lisboa surge num contexto particularmente relevante para a economia do vinho em Portugal. Dados da ViniPortugal mostram que as exportações nacionais de vinho atingiram 965,8 milhões de euros em 2024, o valor mais elevado alguma vez registado pelo setor, representando um crescimento de 4,46% face ao ano anterior. Em volume, Portugal exportou 347,5 milhões de litros.
Já o Instituto da Vinha e do Vinho (IVV) destaca que o vinho representa atualmente cerca de 954 milhões de euros em exportações anuais, mantendo um saldo comercial positivo próximo dos 800 milhões de euros.
A representar Portugal na competição internacional estará o escanção Marc Pinto, atualmente a trabalhar no restaurante FIFTY SECONDS, e três vezes vencedor do prémio de Melhor Escanção de Portugal - 2022, 2023 e 2024 - da Associação Nacional de Escanções. Para além dele, só Manuel Moreira e Bruno Antunes garantiram três vezes esta distinção (embora não tenham sido em anos consecutivos), desde que o prémio foi criado, em 1978.
Ao longo da competição para Melhor Escanção do Mundo ou World Best Sommelier, os participantes vão ter de enfrentar um conjunto de provas de elevada exigência técnica, que avaliam conhecimentos e competências fundamentais da profissão de sommelier, desde a degustação e identificação de vinhos à harmonização, serviço (com várias rasteiras pelo caminho); conhecimento de bebidas que passam por cafés, sakés, cervejas ou destilados, legislação, métodos de produção e provas cegas. Ao mesmo tempo, têm de garantir ter a capacidade de aguentar a pressão da prova.
Mais do que uma competição técnica, o campeonato mundial funciona como uma montra internacional para um setor que depende crescentemente da reputação e da conquista de mercados de maior valor acrescentado. Os sommeliers ocupam hoje uma posição estratégica na cadeia de decisão do consumo de vinhos premium, sendo frequentemente responsáveis pela seleção das referências presentes nas cartas dos restaurantes, hotéis e grupos de restauração mais influentes do mundo.
A importância desta edição portuguesa torna-se ainda mais evidente quando analisados os principais mercados externos do vinho nacional. França continua a ser o maior destino das exportações portuguesas, seguida pelos Estados Unidos e pelo Brasil, mercados onde a a recomendação especializada desempenham um papel determinante na criação de valor. E, numa altura em que o consumo de vinho atinge mínimos históricos em todo o mundo, a valorização aparece como um dos caminhos urgentes a seguir.
Numa altura em que Portugal procura ter cada vez mais exposição internacional, no que ao vinho diz respeito, preparando-se também para receber, no próximo ano, o Concurso Mundial de Bruxelas, um dos mais relevantes do setor, o impacto desta semana deverá ir muito para além do retorno financeiro imediato, como aliás acontece com muitas destas iniciativas. O retorno mais significativo estará na exposição internacional do país junto de uma comunidade profissional com influência direta sobre tendências de consumo, decisões de compra e posicionamento de marcas em vários mercados, e que ajuda a determinar o que se bebe, recomenda e valoriza nas mesas mais exigentes do mundo.